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Luiz Carlos dos Santos : A REDAÇÃO DO RELATÓRIO DE UMA PRODUÇÃO CIENTÍFICA.
Concluída a pesquisa de cunho técnico-científico, nas suas variadas formas – paper, artigo, monografia, dissertação, tese, projeto de pesquisa, plano de desenvolvimento institucional, projeto político pedagógico, projeto pedagógico de curso, dentre outras, passa-se à redação inicial do texto, a qual consiste em reunir os escritos, considerados relevantes, em ideais principais de parágrafos.
Inicia-se, então, a redação do primeiro parágrafo do capítulo ou divisão por bloco do capítulo/seção. Convém lembrar que cada parágrafo é composto de uma ideia principal, cujo sentido pode ser aperfeiçoado por ideias secundárias. Escrita a primeira ideia relevante, procurando sempre dar à frase a melhor expressão, de acordo com o objetivo que se tem, completa-se o parágrafo com as ideias secundárias, as quais julgue-se necessárias e suficientes, de forma a tornar clara e patente a ideia principal. Cabe ressaltar que as ideias secundárias explicam, exemplificam, esclarecem, detalham a ideia principal.
Dando prosseguimento, passe-se à segunda ideia importante, compondo um segundo parágrafo. E assim, sucessivamente, com todas as ideias relevantes, previamente escolhidas e hierarquizadas. Frise-se que, é de capital importância lembrar que todos os dados, classificados na seleção prévia como menos relevantes, podem eventualmente vir a ser utilizados na composição das ideias secundárias.
Nessa trajetória redacional preliminar, as citações selecionadas devem ser trasladadas literalmente quando diretas, ou resumidas guardando-se a fidelidade ao autor, quando indiretas. Ah! Citação de citação (apud) deve ser evitadas, principalmente se o trabalho acadêmico-científico for uma tese. De acordo com Santos (2007, p. 122), “A função da citação é dar suporte epistemológico ao texto (produção)”. Ao se referenciar certo autor, fazem-se, a um só tempo, um ato de justiça intelectual (atribui-se a ideia a seu “dono”) e um ato de honestidade científico-acadêmica (o autor que cita e referencia reconhece que a ideia não é sua).
Urge, porém, lembrar, que citação são normalmente utilizadas como ideias secundárias nos parágrafos. Ideias de outros autores são usadas como reforço, esclarecimento, explicação, para ideias próprias. Por isso, citações raramente encabeçam parágrafos como ideias principais. Elas devem funcionar como suporte à construção dos argumentos no corpo de trabalho (NUNES, 1997).
Não há regras que determinem qual é a quantidade adequada de citações a serem utilizadas em um texto original. Todavia, devem-se evitar extremos. Um texto construído apenas com ideias pessoais de um autor corre o risco de ser meramente opinativo, um ensaio científico, cuja validade seria respaldada apenas no notório saber e singularidade do autor. Careceria de apoio explícito e identificado de outras autoridades/expoentes, demonstrando-se horizontalização de fontes. Por outro lado, o excesso de citações, com diminuta ou nenhuma contribuição pessoal, causa a impressão de colcha-de-retalhos.
Em relação às notas explicativas (ampliações, complementações, explicações, são consideradas importantes porque ajudam a clarear o sentido de ideias do texto para o leitor) recomenda-se que não fiquem assentadas no corpo do texto; mas, enquanto nota de rodapé, a fim de evitar a quebra da sequência dos argumentos constantes do texto principal, pois distrairiam a atenção do leitor.
Redigida a versão preliminar, de maneira concatenada, passa-se à correção do texto e redação definitiva, pelo autor, pois o texto elaborado pelo graduando, pós-graduando ou pesquisador, deverá ser submetido à correção por profissional da área (Letras), com experiência comprovada. Na verdade, o que se fez anteriormente à redação final, foi organizar dados de maneira original, sem muita preocupação com o examinador e leitor. O texto deve ser corrigido, objetivando uma redação que efetivamente garanta a expressão das ideias do autor, as quais possam ser captadas pelo leitor com relativa facilidade. Não se deve produzir cientificamente e a obra ficar circunscrita à análise/avaliação de uma Banca Examinadora. O conhecimento produzido há de ser difundido, socializado; colocado para o público, em forma de livro ou artigo.
Entende-se que numa primeira correção, denominada de vertical, examina-se o texto produzido para averiguar se a sequência lógica originalmente dada às ideias principais é, de fato, a melhor possível. Nesse sentido, afirma Santos (2007, p. 123), “[...] Embora o conjunto das ideias relevantes tivesse sido preliminarmente hierarquizado, pode acontecer que, após a organização dos parágrafos, isto é, após aquelas ideias terem sido compostas com ideias secundárias, a sequência melhor seja outra”. Portanto, deve ser promovida a alteração – a sequência original dos parágrafos.
De igual modo, o mesmo cuidado de que trata o parágrafo precedente, deve ser mantido no interior de cada parágrafo. Pode-se mudar à vontade a posição das ideias secundárias. Entretanto, sugere-se que a ideia principal seja mantida nas extremidades dos parágrafos, iniciando (quase sempre) ou finalizando parágrafos.
Continuando a revisão do texto, passa-se à correção horizontal, a qual leva em consideração os aspectos morfológicos e sintáticos da redação. A correção morfológica tem a finalidade de adequar os termos utilizados aos dados que se deseja comunicar. Assim, deve-se verificar se o que se quis transmitir está realmente expresso com palavras mais adequadas/apropriadas. Enfatize-se que, diferentemente do texto falado, o autor do texto escrito não está disponível diante do leitor para eventuais esclarecimentos. Sendo assim, a comunicação deve ser clara o bastante, propiciando entendimento ao primeiro contato.
No que concerne à correção sintática, esta visa à correta articulação das informações, dos elementos sintáticos das frases. Cuida, também, da correta articulação gramatical entre as várias frases que compunham um parágrafo. Atente-se, a priori, para o acerto de elementos sintáticos como concordância verbal, concordância nominal, utilização correta de pronomes, utilização apropriada de tempos verbais entre frases do mesmo período, uso de voz passiva e ativa dos verbos, extensão das frases - frases curtas são mais recomendadas, dentre outros aspectos. De igual modo, a correção ortográfica do texto – grafia, acentuação de palavras, pontuação – é, imprescindível.
Cabe lembrar que a redação final deve levar em consideração o que estão preconizadas nas Normas Brasileiras de Regulação (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em vigência: NBR 6023:2002 (referências); NBR 10520:2002 (Citação); NBR 6028:2003 (Resumo); NBR 6027:2012 (Sumário); 6024:2012 (Numeração progressiva de um documento escrito); NBR 14724:2011 (Trabalhos acadêmicos); NBR 15287:2011 (Projeto de Pesquisa, se for o caso); 6022:2003 (artigo técnico-científico para publicação), dentre outras, dependendo do tipo de produção. Finalmente, além das NBR’s da ABNT, outras normas internas – de periódicos/revistas ou baixadas via regulamentos de Instituições Ensino Superior (IES) complementam os aspectos de normalização.
REFERÊNCIAS
BOAVENTURA, Edivaldo M. Como ordenar as ideias. São Paulo: Ática, 1988.
NUNES, J. A. R. Manual da monografia jurídica. Como se faz uma monografia, uma dissertação, uma tese. São Paulo: Saraiva 1997.
SANTOS, Antonio Raimundo dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 7. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.
SANTOS, Luiz Carlos dos. Tópicos sobre Educação, Metodologia da Pesquisa Científica [...]. Salvador: Quarteto, 2007.

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