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Gestão Universitária

Monografias e Trabalhos Coordenação de Cursos no Ensino Superior
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Escrito por Alexandre Martins Dias   
Qua, 28 de Janeiro de 2009 16:00
A Coordenação de Cursos no ensino superior surgiu com a reforma universitária
na década de 60, mais precisamente em 1968, em substituição aos Conselhos
Administrativos e Congregações. Algumas denominações diferentes foram
utilizadas, mas o termo Coordenação prevaleceu. Por muito tempo, as
Coordenações funcionaram com “funções “ ou “atribuições” especificadas nos
Regimentos e Normas internas das IES, sempre privilegiando o aspecto didáticopedagógico.
Uma citação em instrumento de avaliação do MEC de 2003,
considera a atuação do Coordenador com conceito “muito bom”,
 

“quando existem atribuições definidas sobre a função de Coordenador e a
sua atuação atende plenamente às demandas dos alunos e professores e o
curso é bem conduzido”.
 

Aqui, se vê nitidamente o foco na especificação das funções do Coordenador por
meio da definição de atribuições em documentos legais e na sua atuação didáticopedagógica
(que, afinal, deve ser importante) mediando as ações entre alunos e
professores.
 

Já em 1981, o próprio MEC reconhecia que o Coordenador “ deveria atuar como
um gerente de um projeto de aprendizagem”. Autores como Cantídio(1981)1,
especificaram diretrizes para uma boa Coordenação de cursos:
 

o Direção/supervisão do ensino;
o Estudo e formulação de currículos;
o Aprovação dos programas;
o Acompanhamento da execução dos planos de ensino;
o Avaliação da produtividade do processo de ensino-aprendizagem;
o Poder de atuar em áreas físicas utilizadas em atividades didáticas;
o Articulação com o CEPE (Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão)através de representação docente.
 

Estas diretrizes são fundamentais e ainda são válidas e importantes.


Na Universidade Federal do Ceará, em 1995, como resultado do IV Encontro de
Coordenadores de Cursos de Graduação, foram levantados alguns fatores
“limitantes” ou “dificultadores” para a adequada ação dos Coordenadores de
Curso, a saber:
 

o Reduzido apoio aos Coordenadores por parte dos Centros e
Departamentos no que diz respeito à infra-estrutura, pessoal e
participação nas decisões;
 

o Pouco reconhecimento da importância da Coordenação por parte
das instâncias acadêmicas;
 

o Apoio dos Coordenadores nos órgãos Colegiados Superiores;
 

o Existência de conflitos de natureza política e administrativa entre os
Coordenadores e os Departamentos em questões como: currículo,
locação de professores, aprovação de programas, oferta de
disciplinas e supervisão de atividades docentes em sala;
 

o Desarticulação entre os Coordenadores de Curso e o órgão
responsável pelo ingresso de alunos;
 

o Falta de uma infra-estrutura adequada para os Coordenadores.
 
 
A partir de 1996, com a nova LDB, o Curso tomou a forma de uma unidade
acadêmico-administrativa dentro da IES e o seu Coordenador passa a ser visto
como o gestor desta unidade. Houve uma mudança da organização em
Departamentos para uma nova organização em Cursos, cuja gestão é baseada
em Colegiados que agregam professores por especialidades ou por ciclo (básico e
profissional). Esta nova organização exige do Coordenador de Curso uma visão
global da formação profissional que é oferecida. Esta nova função de Coordenador
de Curso atribuída a um professor, por mais qualificado que seja, exige algo mais
sobre relações de negócio que nem sempre o professor possui. É uma nova
concepção administrativa que surge.
 
 
Esta concepção vem se reformulando ao longo do tempo e, hoje, o Coordenador
de Curso está atuando como um Coordenador-gestor que, se não toma decisões,
tem espaço para influenciar estas decisões. Sua função é mais que a de um
“simples mediador entre alunos, professores e os órgãos colegiados superiores”, é
gerir o projeto político-pedagógico do curso, tendo como referência a missão e as
metas da IES.
 
 
Também deve agregar novas habilidades, tais como a de “liderança de equipes” ,
para a formação de “times” de sucesso e a “percepção das tendências
mercadológicas”, de modo a influenciar nas estratégias de marketing para a
divulgação do curso.
 
 
Naturalmente, não estão descartados aquelas qualidades fundamentais à
função de Coordenador como o “conhecimento dos dispositivos legais
relacionados ao curso”, o “conhecimento científico da área do curso” e o
“conhecimento da organização didático-pedagógica” do curso.
 
 
As IES têm passado por transformações tão profundas, que exigem a
implantação de uma gestão mais participativa, estimulando a interação entre os
vários níveis e órgãos colegiados através de canais ágeis de comunicação, que
permitam a rápida circulação das informações e facilitem a tomada de decisões.
Além do aspecto citado acima, a habilidade de liderança do Coordenador deve
ser incentivada, de modo a propiciar uma gestão cooperativa, onde todos
participam, auxiliam, discutem e influenciam as decisões e são, igualmente,
informados delas.
 
 
Como já discutido em material na Biblioteca virtual do curso, o Coordenador está
no nível tático, que tem interações nos sentidos horizontal e vertical com os
demais órgão colegiados da IES. Assim, novas habilidades são exigidas. Em
muitos casos, cursos de capacitação são muito úteis para o correto
direcionamento das potencialidades dos Coordenadores de Curso de uma IES.
 
 
Ainda hoje, os instrumentos de avaliação do MEC mantêm o foco na formação
acadêmica do Coordenador (titulação) e no tempo de atuação em atividades de
gestão, além do tempo de dedicação. Os instrumentos não procuram valorizar
estas novas habilidades citadas aqui, como importantes na melhoria da gestão do
processo ensino-aprendizagem.
 
----------------------------------------
 
1 CANTíDIO, W.M. As Coordenações de Curso e os Departamentos na Administração Setorial Escolar.
Coleção Documentos Universitários. UFC/Fortaleza, 1981.
 
Bibliografia:

1. SABADIA, J. A. B. “O papel da Coordenação de Curso – A experiência no
ensino de graduação em Geologia na Universidade Federal do Ceará”,
Revista de Geologia, vol. 11, p. 23-29, 1998.

2. DA SILVA, S. T.; PEREIRA, A.C. “O papel da liderança da equipes na
Coordenação de Curso”, FACASTELO.
http://www.inf.pucpcaldas.br/eventos/weimig2003/ArtigosWEIMIG2003/WEIMIG200
3SandroTonini.pdf

3. DE SOUZA, D. A. I. “O papel do Coordenador de Curso no ensino superior
– contribuições para uma reflexão sobre os cursos de formação de
professores”, ISEI/FUNCESI.
http://www.funcesi.br/Portals/1/Papel%20do%20coordenador%20de%20curso.doc

4. DE FARIAS, S. A. et alli. “Coordenação de Curso de Graduação: Perfil e
papel de Coordenadores da Licenciatura em Química” in:- VXIV Encontro
Nacional de Ensino de Química, UFPR, 21 a 24 de julho de 2008.
 

Autor deste artigo: Alexandre Martins Dias - participante desde Qua, 21 de Janeiro de 2009.

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