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Edições Anteriores 246 A Coordenação de cursos superiores em instituições privadas: uma breve discussão
A Coordenação de cursos superiores em instituições privadas: uma breve discussão PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Alexandre Martins Dias   
Qua, 27 de Outubro de 2010 00:00

RESUMO: O trabalho apresenta uma visão do panorama atual da política de educação para o ensino fundamental e médio no país e seus reflexos na atividade de coordenação de cursos superiores em instituições privadas.



Destaca algumas  limitações, apresenta questões críticas e indica caminhos para a busca de oportunidades alternativas para a superação de dificuldades.

ABSTRACT - The paper presents an overview of the current landscape of education policy for elementary and high school in the country and its effects on activity coordination of higher education courses at private institutions. Highlights some limitations, presents critical issues and suggests ways to search for alternative opportunities to overcome difficulties.

Uma visão do panorama atual do ensino fundamental e médio

A reportagem jornalística citada neste tópico dará suporte à construção da visão panorâmica  do autor sobre a política atual para o ensino fundamental e médio no país.

“Avaliação do MEC indica piora das escolas particulares de SP” (Sílvia Colelo -"É difícil equilibrar a necessidade real para o aprendizado com as demandas dos alunos-clientes" , Faculdade de Educação da USP, 06/07/2010, págs. 1 e Vida A14)

O ENEM revelou dados (Grispino, 2007; Aragaki, 2008) que não se constituíram em uma surpresa para os profissionais da educação. As maiores médias na parte específica obtidas pela escola pública ficaram abaixo de 40%, enquanto as maiores médias obtidas pela escola privada atingiram valores próximos de 60% (INEP, 2007). E estes últimos são os que ocuparão as vagas no ensino superior público! Até mesmo os dados mais recentes que começam a ser, nestes dias, divulgados pelo MEC, tendem a manter praticamente os mesmos índices.

Apesar dos esforços, a atual política de governo para o ensino fundamental e médio, visando a aprovação e com foco nas estatísticas e nos “IDEBs”, dificulta e aumenta as amarras para a Coordenação de curso no ensino superior privado, que “recebe um aluno com baixa qualificação e tem a obrigação de transformá-lo em um aluno nível 4 (ou pelo menos 3)”, para que o seu curso sobreviva no mercado.  Essa não é a uma preocupação importante das Coordenações no sistema federal de ensino, pois já selecionaram os alunos mais preparados, ou será que já começa a ser ? Os efeitos dessa política estão tão evidentes que até mesmo os instrumentos oficiais de avaliação de cursos superiores “cobram”, na dimensão didático pedagógica, ações ou programas de “nivelamento”, não para ajustes de possíveis diferenças ou desníveis regionais, mas porque já se reconhece a baixa qualidade do ensino médio. Hoje, o alto custo do deslocamento e estadia induz, na maioria dos estudantes,  a busca por  instituições e cursos na sua própria região. Outro efeito observado é que algumas instituições, mesmo  do sistema federal, já trabalham com “overbook” no primeiro período devido ao forte índice de desistência motivado, em parte, pela dificuldade do aluno ingressante para acompanhar o curso e pelo seu baixo desempenho.

Além desse panorama relativo à qualificação e demandas do aluno-cliente, a concorrência cada vez mais forte e agressiva, muitas vezes claramente mercantilista,  cria novas dificuldades aos Coordenadores de curso, cada vez mais sobrecarregados de responsabilidades e tarefas administrativas. Hoje o Coordenador de curso tem, entre suas competências e  várias atribuições, a  de  um gestor de processo que, muitas vezes ultrapassa o nível tático, com influência forte no nível estratégico da instituição.

Enfim, são muitos os desafios e as amarras que as Coordenações de cursos superiores têm que enfrentar.  As Diretrizes Curriculares Nacionais impõem limites com a especificação de conteúdos ou temas a serem abordados na formação que se deve acomodar em uma exígua carga horária mínima. As avaliações externas, como o ENADE, em sintonia com as Diretrizes, editam relações de conteúdos a serem avaliados no componente específico, em geral  com foco nos fundamentos.  Tem-se a impressão que o MEC deseja definir  o que e como os cursos devem ensinar. Dessa forma, tem-se pouca flexibilidade na elaboração dos projetos pedagógicos, pois tem-se que atender a estas necessidades e, ao mesmo tempo, atender as exigências do mercado quanto às novas tecnologias que surgem a todo instante.  Aliás, sobre o ENADE vale a pena destacar que, em algumas áreas, tem sido notado que o maior índice de dificuldade na prova apontado pelos alunos em todas as  edições anteriores é “a forma diferente de abordagem do conteúdo”, dando claras indicações de que a prova foi elaborada por uma equipe que, no seu dia-a-dia, não está na sala de aula, ou  que não percebe com clareza a realidade nacional daquelas áreas.

Questões cruciais do cotidiano da Coordenação de curso

Diante deste contexto, pensar como se colocar diante das seguintes indagações, comuns ao dia-a-dia de uma Coordenação de curso no ensino superior em instituições privadas:

- Como melhorar a seleção de ingressantes sem prejudicar a captação ?
- Como melhorar a qualidade do curso sem causar demasiada pressão nos custos ?
-  Como atender as exigências de avaliação externa sem se descuidar da  formação que atenda ao mercado ?

Indicações de caminhos para a superação

As respostas às questões propostas são difíceis, talvez impossíveis sem um comprometimento total de todos os seguimentos envolvidos:  governo, instituições de ensino, família e a sociedade em geral. Afinal a educação é uma missão coletiva. Deve-se insistir na busca de caminhos alternativos, correr riscos e inovar. Talvez deve-se atentar para uma das lições de Drucker(2008), que aconselha ao líder dirigir o foco de  seus esforços para as “oportunidades”, não para os “problemas”; ou ainda, nesta mesma linha de pensamento, parar de olhar só para a “concorrência” e procurar “oportunidades alternativas”, como defendem W. Chan Kim e R. Mauborgne(2007). Pensar formas de diferenciação do curso; ouvir o mercado e direcionar a formação podem criar  oportunidades alternativas.  Essas atitudes devem estar  também alicerçadas na teoria da liderança situacional de Blanchard(2007) que indica o “diagnóstico” como uma das habilidades essenciais para o líder.  Enfim, aquele que conseguir diagnosticar e atingir um padrão de respostas aceitável para as indagações propostas, certamente terá atingido, ou estará muito próximo do “oceano azul” para o curso. Porque não, começar com um choque de gestão no curso, através de um “pacto” com seus liderados, criando uma gestão mais participativa e colaborativa ?

Referências bibliográficas
ARAGAKI, B.  No Enem 2008, escola pública tira ´vermelha´;  particular tem ´azul´. Disponível em   http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/11/20/ult1811u256.jhtm.  Acessado em junho/2010.
BLANCHARD, Ken.  Liderança de alto nível. Porto Alegre: Bookman, 2007.
CHAN KIM, W.; MAUBORGNE, R. A Estratégia do Oceano Azul. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
DRUCKER, P.  Trabalho em equipe: o líder, segundo Peter Drucker. Disponível em   <http://webinsider.uol.com.br/2008/09/24/trabalho-em-equipe-o-lider-segundo-peter-drucker>.   Acessado em junho/2010.
GRISPINO, I. S.  Conclusões sobre o resultado do último ENEM. Disponível em WWW.izabelsadallagrispino.com.br. Acessado em junho/2010.
INEP.  Inep divulga os resultados do Enem 2006 por UF e escola. Disponível em www.inep.gov.br/imprensa/noticias/enem/news07_02.htm. Acessado em junho/2010.

 

Autor deste artigo: Alexandre Martins Dias - participante desde Qua, 21 de Janeiro de 2009.

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