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As novas exigências de um profissional que atenda as necessidades sociais PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Antônio Carlos Pereira dos Santos Junior   
Qua, 16 de Fevereiro de 2011 00:00

ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL - ESAB
CURSO LATO SENSU EM PLANEJAMENTO EDUCACIONAL E DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR

 ANTÔNIO CARLOS PEREIRA DOS SANTOS JUNIOR

FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES DO ENSINO SUPERIOR: AS NOVAS EXIGÊNCIAS DE UM PROFISSIONAL QUE ATENDA AS NECESSIDADES SOCIAIS APÓS A REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA 

VILA VELHA – ES
2010

Monografia apresentada à Escola Superior Aberta do Brasil – ESAB, sob orientação do profº Ms. Aloísio Silva.

Aprovada em......, de ........................ de 2010

 

_____________________________________

Aloísio Carlos da Silva

 

_____________________________________

Beatriz Christo Gobbi

 

_____________________________________

Patrícia Ebani Peixoto

  

VILA VELHA – ES

2010

LISTAS DE TABELAS 

 

LISTA DE SIGLAS

  

AVA Ambientes Virtuais de Aprendizagem

CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Conaes Conselho Nacional de Educação Superior

EAD Educação a Distância

IESALC Instituto Internacional para a Educação na América Latina e no Caribe

INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

LDB Lei de Diretrizes e Bases

MEC Ministério da Educação

PNE Plano Nacional de Educação

UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura  


RESUMO 

Palavras-chave: Formação Inicial e Continuada, Professores, Ensino Superior, Novas Exigências, Necessidades Sociais, Reestruturação Produtiva. As transformações sócio-econômicas vivenciada nos últimos anos influenciaram as relações do trabalho, a produção do conhecimento, bem como a vida social, emergindo assim a necessidade de que se tenha um profissional melhor qualificado para atender os anseios da sociedade moderna. Na área educacional isto não é diferente, portanto, neste sentido, o presente estudo almeja discorrer e apresentar algumas reflexões sobre a formação de um professor reflexivo e melhor qualificado visando a atender as necessidades sociais atuais. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de caráter exploratório, descritivo e especialmente bibliográfico enfocando a formação inicial e continuada dos professores do ensino superior e as atuais exigências para estar preparando cada vez mais e melhor os alunos para atuarem no competitivo mercado de trabalho e concomitantemente contribuindo com uma atuação cidadã mais incisiva na sociedade. Abordamos também a respeito do ensino superior e suas tendências, educação em direitos humanos, ensino, pesquisa e extensão na universidade e a formação de professores e as novas tecnologias seja no ensino presencial, semi-presencial e online. Em especial pude observar que ao se buscar um educador reflexivo, que procure cada vez mais se (re)qualificar adequando métodos e técnicas poderá beneficiar os alunos e ao mesmo tempo atendendo às necessidades atuais exigidas pela sociedade.

 

SUMÁRIO

 

1. INTRODUÇÃO........................................................................ 07

2. EDUCAÇÃO............................................................................ 09

2.1. EDUCAÇÃO SUPERIOR E SUAS TENDÊNCIAS........... 10

3. REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E OS PROFESSORES        19

3.1. FORMAÇÃO DE PROFESSORES.................................... 21

3.2. FORMAÇÃO DE PROFESSORES E AS NOVAS TECNOLOGIAS  24

3.3. FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES......... 26

4. AS NOVAS EXIGÊNCIAS DO PROFESSOR DE ENSINO SUPERIOR         28

4.1. EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS........................... 29

4.2. ENSINO, PESQUISA, EXTENSÃO................................... 31

4.2.1 Ensino, pesquisa e extensão na escola..................... 32

4.3. PROFESSOR PESQUISADOR......................................... 33

4.4. ENSINO SEMI-PRESENCIAL E ONLINE......................... 34

4.5. DOCÊNCIA ONLINE........................................................... 37

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................... 40

6. REFERÊNCIAS....................................................................... 42

 

1. INTRODUÇÃO

Desde os primórdios da civilização que o homem vem aprendendo, evoluindo e repassando o seu conhecimento adquirido com o passar dos tempos, originando no que chamamos atualmente de sociedade da informação e do conhecimento, onde a transformação dos vários setores da sociedade moderna, do mundo do trabalho, bem como a inserção das novas tecnologias de informação e comunicação são evidentes no nosso cotidiano. A educação sendo o elemento constitutivo da pessoa tem o dever de acompanhar esta evolução, adequando procedimentos e práticas para beneficio dos educandos.

Com tantas mudanças ocorridas, tendo como causa principal a reestruturação produtiva, a inserção das novas tecnologias provocaram o surgimento de novos elementos que foram introduzidos no mundo do trabalho, atingindo profissionais de distintas áreas, sendo necessário a partir deste momento uma outra postura deste profissional. Exigindo novas habilidades e competências para ingressar ou permanecer no mundo do trabalho.

Diante disto, acreditamos que é evidente que no âmbito educacional, principalmente do ensino superior, há a necessidade dos educadores reverem suas posturas profissionais, buscando se (re)qualificar, que seja reflexivos, que possuam, habilidades, aptidões, conhecimentos, competências e interesses esperados de um profissional que atenda a nova realidade, tendo em vista a sua atividade, o contexto social, tecnológico e cultural em que atuam para a continuação na formação de profissionais com essas peculiaridades.

O presente estudo foi realizado utilizando o método qualitativo por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno. A pesquisa é do tipo exploratório sendo este o primeiro passo de todo trabalho científico e ainda utilizamos à pesquisa descritiva o qual os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. Quanto aos procedimentos técnicos utilizamos o bibliográfico devido à pesquisa ter como base materiais já elaborados, constituído principalmente de livros e artigos científicos.

O método de abordagem é o dedutivo, pois de acordo com a acepção clássica, é o método que parte do geral e, a seguir, desce ao particular. Quanto ao método de procedimento, é monográfico por ser um estudo sobre um tema específico ou particular de suficiente valor representativo que obedece a rigorosa metodologia. Assim, o estudo está estruturado em capítulos, sendo o primeiro a apresentação, onde fazemos uma contextualização quanto à educação e algumas perspectivas no ensino superior atualmente.

O segundo capítulo trata da reestruturação produtiva e da formação inicial, continuada de professores e ainda a formação de professores e as novas tecnologias. O terceiro capítulo apresenta as novas exigências do professor do ensino superior, propondo reflexões a respeito da educação em direitos humanos, ensino, pesquisa e extensão, professor pesquisador, ensino semi-presencial e online e ainda a docência online.

Por fim trazemos as considerações finais, onde a partir do estudo desenvolvido observamos que alunos e professores anseiam por um ensino superior mais moderno que esteja inserido na realidade do mundo globalizado e que beneficie os alunos com um ensino atual focado no mercado de trabalho e que também beneficie a sociedade. É de fundamental importância rever os perfis profissionais e os processos de formação das escolas e universidades haja vista que é imprescindível que as instituições de ensino e os profissionais da educação estejam atualizados comparados a realidade vivenciada na sociedade e possibilitando assim a imersão da comunidade escolar e acadêmica.

A cultura digital, a nova organização do mundo do trabalho, aos novos paradigmas organizacionais e principalmente cumpri com sua função social que é de preparar cidadãos para o trabalho e para a vida, ou então esta escola e/ou universidade estará fadada a se tornar desinteressada, obsoleta e não cumprirá suas funções.

2. EDUCAÇÃO

O cenário mundial, onde à globalização é uma realidade, faz emergir reflexões sobre os caminhos da Educação, de forma a entender e atender às necessidades atuais da sociedade. Para isso é discorrido neste capitulo a contextualização histórica, tendências e perspectivas da educação em geral e também da educação superior no Brasil. Ao nos remeter a história da educação no mundo, observamos que a mesma passa a existir juntamente com o surgimento do homem, através de sua luta pela sobrevivência. O homem busca modificar a natureza e extrair dela a sua fonte de subsistência, assim aprende a delinear suas ações, descobrir e utilizar objetos, e começa a viver em sociedade. Diante disso, passa a existir no homem a necessidade de descobrir, criar e utilizar ferramentas e automaticamente a obrigação de perpetuar o seu aprendizado, surgindo então à educação, conforme idealiza Moura (2008):

E é tamanha a quantidade de invenções e de conhecimentos humanos, que se torna necessário sistematizá-los e transmiti-los às novas gerações. Assim surgiu a educação formal, como meio de suprir essa necessidade, o que possibilitou uma evolução cada vez maior e mais rápida em termos de conhecimentos. (MOURA, 2008, p.1)

Porém, quando se comenta sobre educação, é possível existir dúvidas sobre o que é realmente a educação e para um melhor entendimento sobre isso, na seqüência buscamos elucidar essa dúvida. Conforme Luckesi (1994), a Educação é um conjunto de informações responsáveis pelo processo de formação das faculdades mentais, morais e físicas do ser humano. Seguindo essa mesma linha de pensamento Libâneo (1994), nos traz:

A educação corresponde, pois, a toda modalidade de influencias e inter-relações que convergem para a formação de traços de personalidade social e do caráter, implicando uma concepção de mundo ideais, valores, modos de agir, que se traduzem em convicções ideológicas, morais, políticas, princípios de ação frente a situações reais e desafios da vida prática. (LIBÂNEO, 1994, p. 22 e 23).

Aportando-nos, ao Plano Nacional de Educação (PNE):

A educação é elemento constitutivo da pessoa e, portanto, deve estar presente desde o momento em que ela nasce, como meio e condição de formação, desenvolvimento, integração social e realização pessoal. (Plano Nacional de Educação, 2000, p.9).

Portanto, educação é uma ação desencadeada por fatores externos e internos que contribuem para a formação das características sociais, mentais e físicas de um indivíduo, ou seja, trata-se de algo bem mais complexo do que simplesmente instruir. Conforme Libâneo (1994) o ensino é o principal meio da educação, e dada essa importância expomos a seguir, o estudo sobre a educação superior.

2.1. EDUCAÇÃO SUPERIOR E SUAS TENDÊNCIAS.

Ao verificar a história, observamos que o processo de implantação do Ensino Superior no Brasil, foi bem atrasado. As primeiras faculdades em território brasileiro nasceram apenas três séculos após o descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral, isto deve-se principalmente pelo fato da coroa portuguesa não ter interesse em fazer investimentos nestas terras. O interesse da coroa era somente explorar as riquezas brasileiras, e isso aconteceu até 1530, já que o Brasil era apenas uma terra de passagem de rota de caravelas a caminho da Índia, onde os produtos orientais eram bem mais rentáveis na época.

De acordo com Souza (2001) o nascimento do ensino superior no Brasil deve-se muito a influência de Napoleão Bonaparte. Na época, ele decretou o bloqueio continental da Europa, o que impedia o acesso às universidades de Coimbra, Bolonha, Paris ou Mont-Pellier pelos jovens fidalgos brasileiros e a invasão de Portugal pelas tropas de Junot. Com a chegada de toda a corte portuguesa ao Brasil, o príncipe regente D. João solicitou que fundasse por aqui um curso superior. A partir de então a pedido de José Corrêa Picanço, cirurgião da Real Câmara, fundou-se a Escola de Cirurgia da Bahia na cidade de Salvador pela decisão régia de 18 de fevereiro de 1808, expedida pelo Ministro do Reino D. Fernando José de Portugal, ao Capitão-general da Bahia Conde da Ponte (João Saldanha da Gama), sendo esta a primeira instituição de ensino superior no Brasil.

Adotando a idéia de “que a verdadeira universidade brasileira estruturalmente consistente teria lugar em 1931, mediante o Decreto nº. 19.851, baixado pelo governo provisório de Getulio Vargas, por inspiração do Ministro Francisco Campos.” (SOUZA, 2001 p. 13). De acordo com Souza (2001) este documento era denominado Estatuto das Universidades Brasileiras, esse tipo de instituição deveria priorizar os estudos básicos ministrados por uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da qual sairiam os diversos ramos profissionalizantes: do direito, engenharia, medicina e outros.

A iniciativa descrita anteriormente não obteve grandes avanços, posteriormente é possível destacar-se somente nas décadas de 1950 a 1970 a criação das Universidades Federais, tendo como objetivo inicial uma universidade em cada estado, porém, em alguns estados foram criados mais de uma, onde também se difundiu as universidades estaduais, municipais e particulares. Pode-se afirmar que o ápice do ensino superior no século XX aconteceu no decorrer dos anos setenta, Souza (2001): De repente, no decorrer dos anos setentas, a rede de ensino superior explodiu, expandindo-se surpreendentemente. Em apenas uma década, as matriculas nos cursos universitários subiram de 300.000, em 1970, para um milhão e meio, em 1980. (SOUZA, 2001, p.16).

Segundo o estudioso, o que provocou a busca repentina pelo ensino superior, deve-se a diversos fatores, o qual destacou principalmente, a modernização da econômica do país, que passou a exigir recursos humanos mais qualificados na indústria, no comércio e no setor de serviços. Nesta mesma época, na década de 1970 o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e ex-secretário de educação superior do Ministério de Educação e Cultura (MEC), Ronaldo Mota, destaca que vários grupos sociais tinham a consciência da necessidade de superar o momento de autoritarismo no país vivido naquela época, e na década seguinte.

Através do processo de concretização da democracia no Brasil, houve um amadurecimento das instituições nacionais. Desde então, os padrões governamentais democráticos realizam o controle orçamentário e administrativo, e então surge conforme MOTA (2008) o terceiro elemento que compõe a possibilidade de um real desenvolvimento econômico, social, cultural: a Educação. E o autor afirma que: “a Educação passa a ser nesta década o elemento primordial entre as prioridades do país. Não basta democracia, não basta ter uma moeda econômica estável, se não tivermos Educação”. (MOTA, 2008, p. 02) Segundo Mota (2008), a educação passa a ser a grande tarefa da geração deste período (da metade dos anos 90 até os dias de hoje), o qual faz uma análise atual do sistema educacional brasileiro na questão da formação e atuação dos professores, logo:

Temos hoje em torno de 2 milhões de professores na Educação Básica. Desse total 400 mil não têm nível superior, conforme previsto na nossa LDB, e outros 400 mil têm nível superior mas ministram disciplinas que não têm a ver com a área em que se formaram. Portanto, nós temos dos 2 milhões de professores aproximadamente 800 mil que demandam aquilo que chamamos de formação inicial, ou seja, ter um curso superior compatível com aquilo que ministram. Os demais 1,2 milhão não se inseriram num processo de formação permanente, qualificação e constante processo de atualização. (MOTA, 2008, p. 02)

Embasados nesses dados, Mota (2008) aponta algumas necessidades do comprometimento do Ensino Superior na formação de professores, ou seja, é de fundamental importância, ter melhores formandos da Educação Básica, em especial do Ensino Médio. Para isto, é preciso haver uma ponte estruturante que conecte o compromisso da Educação Superior no objetivo de formar melhor a base. Para se atingir este objetivo é necessário entendermos a situação atual e as tendências para o desenvolvimento do ensino superior, conforme destacamos na seqüência.

Ao analisar dados da UNESCO (1980-1995) verificamos que o ensino superior em nível mundial, tem o desejo de se modernizar, segundo Porto e Régnier (2003) o ensino superior mundial esta imersa em um contexto de transformações, nas diversas instâncias de organização da sociedade atingindo todos os países. As instituições de todos os paises almejam atualizar-se e inserir-se na nova realidade, e ao mesmo tempo ter um relacionamento mais efetivo com os indivíduos, grupos sociais e o governo, entendendo, interpretando e propondo soluções aos seus problemas.

Outro fator destacado pelo estudioso, é quanto o ensino superior no mundo, que traz um aumento substancial do número de estudantes, segundo dados da UNESCO (1980-1995). O número de alunos passou de 51 milhões para quase 82 milhões, trazendo uma progressão de 61%, sendo que os índices de matrículas no ensino superior foram maiores em países menos desenvolvidos do que nos países desenvolvidos. Este expressivo aumento de matriculas no ensino superior deve-se a quantidade de alunos que concluem o ensino médio e também o competitivo mercado de trabalho que exige cada vez mais profissionais mais capacitados e com grau de instrução mais elevado. De acordo com dados mais recentes da UNESCO a (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura), analisados durante Conferência Regional de Educação Superior na América Latina e no Caribe, realizada em Cartagena de Índias, Colômbia, de 4 a 6 de junho de 2008, concluiu-se a necessidade de reduzir as desigualdades da educação superior e de melhorar o acesso e qualidade do ensino, pois “a educação superior é um bem social público e um direito humano universal”.

Apesar de grandes avanços, segundo a UNESCO (2008) ainda há contrastes e desigualdades na América Latina, prova disso é o Brasil que possui a porcentagem mais elevada de analfabetos dentre os países latino-americanos, porém, é o país que produz o maior número de formandos em educação superior, com cerca de 11.000 estudantes com grau de doutorado por ano. A UNESCO apresenta outros dados ainda como na região latino-americana há cerca de 9.000 centros de ensino superior, mas somente 13,8% das universidades utilizam um sistema de avaliação que garante a qualidade de seu ensino, sendo que:

A partir de dados e estatísticas de 28 dos 33 Estados Membros da UNESCO na região, o estudo pôde concluir que na América Latina e no Caribe somente 24% da população com idade para freqüentar um centro de ensino superior está efetivamente inscrito, porcentagem que alcança 68% na Ásia e 87% na Europa. O estudo revelou também que a porcentagem do Produto Interno Bruto que se investe na educação é insuficiente considerando o papel-chave da educação superior no desenvolvimento nacional. (UNESCO, 2008, p.1). De acordo com Ana Lúcia Gazzola, diretora do Instituto Internacional da UNESCO para a Educação Superior na América Latina e no Caribe (IESALC), que realizou o estudo, na América Latina e no Caribe as universidades contribuem com 85 a 90% da produção do conhecimento. E devido às transformações ocorridas na economia, na sociedade e na cultura mundial visualizamos algumas das principais tendências e mudanças relacionadas ao ensino superior mundial de acordo com Porto e Régnier (2003) sendo:

Declínio das taxas de crescimento demográfico e progressivo envelhecimento da população; Aceleração da produção científica e tecnológica e mudança nos padrões de competitividade das nações; Crescente disponibilidade de novas tecnologias para a educação e crescimento da educação a distância; Redefinição da estrutura do mercado de trabalho, do conteúdo do trabalho e das condições de empregabilidade;

5. Crescimento da educação continuada; Consolidação da educação como objeto de aspiração dos jovens e de suas famílias. Com relação às possíveis Mudanças em andamento e fatos portadores do futuro, Porto e Régnier (2003) destacam: Globalização do mercado de trabalho; Incremento nos fluxos internacionais de estudantes; Empresas produtoras de tecnologia atuando como certificadoras de conhecimento; Maior presença das universidades corporativas; Presença de novos atores no campo da educação superior.

Analisando sobre os aspectos evolutivos do ensino superior é perceptível que na atualidade é impossível desvencilhar as instituições educacionais das outras instituições presentes na esfera do Governo Federal, todas elas estão intimamente ligadas, pois acontecimentos ou mudanças que ocorram na sociedade globalizada influenciam no convívio social, nos setores administrativos, econômicos e sociais da coletividade. As tomadas de decisões influenciam diretamente todos os setores e não deixa de fora o sistema educacional e como não se bastasse, ainda existe uma insatisfação com o ensino superior brasileiro. A insatisfação com o ensino superior existe desde a década 1960 como afirma Morhy (2002): “A Reforma Universitária (Lei n. 5.540) – que veio depois da crise universitária de 1968 – não resolveu os problemas maiores que voltaram a se agravar já antes da Nova República”.

Segundo Morhy (2002) para chegar a um sistema de educação superior satisfatório é necessário que reformule tanto a base legal que inclui a própria Constituição de 1988, a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e ainda faz-se necessário, outras providências que incluem novas atitudes em cada instituição e em cada um de nós. Além disso, os variados e complexos motivos da crise que passa a educação superior exigem nova postura da sociedade em relação às suas instituições educacionais e, também, decisões políticas inteligentes e estratégicas.

Conforme Morhy (2002) analisando o intuito das universidades e do ensino superior podemos avaliar como está definida legalmente o ensino superior no Brasil de acordo com a Lei n.º 9394/1996 que fixa as diretrizes e bases para a educação nacional quanto às suas finalidades:

Estimular a criação cultural e o desenvolvimento do ensino científico e do pensamento reflexivo; Formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira e colaborar na sua formação contínua; Incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;

Promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber por meio do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; Suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento e de cada geração;

Estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular dos nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com essa uma relação de reciprocidade; Promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica, geradas na instituição. Mas, não é somente isso, pois de acordo com Viana (2008) é necessário formar cidadãos aptos para enfrentar os desafios frente ao desenvolvimento socioeconômico e conscientes de que o aprendizado deve ser permanente em virtude do crescimento exponencial do conhecimento.

Para a presidente do Conselho Nacional de Educação Superior (Conaes), a professora Nadja Valverde Viana, no Seminário Estadual de Avaliação da Educação Superior, ocorrido nos dias 22 e 23 de Setembro/2008, a educação superior está sendo repensada para a próxima década. Viana (2008) aponta algumas informações quanto às tendências do ensino superior no mundo e na América Latina, nas quais podemos destacar a massificação; o incremento vertiginoso da mobilidade acadêmica internacional; privatização; aperfeiçoamento do processo de gestão; carência de atualização e flexibilidade dos currículos; predomínio da tecnologia da informação e comunicação e a democratização do acesso por motivos de gênero, etnia, religião e classe social.

Segundo Werthein (2001), a Declaração Mundial sobre Educação Superior para o Século XXI da UNESCO mostra que os universitários indicam a necessidade de o ensino superior encontrar um equilíbrio entre a educação e formação. Sendo que se relaciona também não só ao teor de seus estudos, mas também a qualidade dos professores, a capacidade das instituições em entender as reais necessidades da sociedade e ainda ter os valores sociais e pessoais estimulados durante o processo de aprendizagem. De acordo com Werthein (2001), a Declaração Mundial sobre Educação Superior para o Século XXI indicou algumas necessidades sensíveis à visão dos estudantes do ensino superior, dentre elas pode-se destacar: Necessidade de novos conteúdos, métodos, práticas e meios de difusão do conhecimento, com base em novos tipos de vínculos e parcerias com os vários setores da sociedade; Necessidade de uma educação universitária voltada para a cidadania, formação do pensamento crítico, busca de soluções aos problemas sociais e desenvolvimento da responsabilidade social;

A reforma dos currículos pela adoção de uma metodologia além do domínio cognitivo das disciplinas; Incentivada a reflexão independente e o trabalho em equipe, o ensino dos direitos humanos e o estudo das necessidades das comunidades de todas as partes do mundo deve ser incorporado nos currículos de todas as disciplinas, particularmente dos cursos que preparam para atividades empresariais; Desta forma é importante a implantação de métodos que propicie ao futuro profissional uma atuação mais social e cidadã mais incisiva. Cremos que cabe a universidade não a tarefa de adestramento, treinamento, pura e simplesmente, mas sim a dimensão participativa, onde COM a comunidade e não PARA ela, os universitários possam exercitar o ato libertário da educação como prática da transformação social. A educação vista desta forma torna-se uma ação criativa, portanto não pode ser padronizada, é a criatividade dos sujeitos que oferecerá condições para a transformação. (FREIRE, SHOR, 1986; FREIRE, 1997 apud CÂMARA, 2004).

Outro fator observado na Declaração Mundial sobre Educação Superior para o Século XXI é a preocupação de que as universidades preparem os acadêmicos para o mundo globalizado, onde as atividades humanas, começa a ultrapassar fronteiras haja visto as aproximações nítidas das nações, afinal [...] “o processo educativo não se encerra no presente. Tem sempre a perspectiva do amanhã” (WERTHEIN, 2001, p.18).

Portanto, alunos e professores anseiam por um ensino superior mais moderno que esteja inserido na realidade do mundo globalizado e que beneficie os alunos com um ensino atual focado no mercado de trabalho e que também beneficie a sociedade. É importante ressaltar que o Brasil deve modernizar seu ensino superior, mas que seja coerente com a realidade do país, equiparando a situação socioeconômica da população e o mercado de trabalho. Aportando-nos novamente, a presidente do Conaes, a professora Nadja Valverde Viana traça a trajetória do processo evolutivo do Ensino Superior no Brasil, no período de 2000 a 2006, conforme destacamos na tabela abaixo:

A tabela 2 mostra que de 2000 a 2006 as instituições de ensino superior brasileiras, tanto na capital quanto no interior cresceram, houve também um crescimento nas instituições públicas e um expressivo crescimento também nas instituições privadas. Quanto à distribuição das instituições de ensino superior por organização no Brasil no período de 2000 a 2006, encontramos os seguintes dados:

A tabela 3 demonstra o significativo crescimento das instituições de ensino superior brasileiras por organização, e é evidente o crescimento maior dos centros de educação tecnológica que oferecem uma formação mais rápida. Nota-se que a partir do desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs, e de sua utilização no contexto educacional através da difusão de outras formas de educação como a educação a distância que o ensino superior presencial vem passando por evolutivas transformações.

Como é possível inclusive fomentar a junção das duas modalidades, o que pode contribuir para uma diversificação nas forma de aplicação dos conteúdos trabalhados, bem como dos materiais de apoio utilizados, podendo favorecer assim um dinamismo na forma de educar e ao mesmo tempo flexibilizando o ensino. Ao seguir o sistema de ensino bi-modal alunos e professores poderão usufruir dos benefícios que as duas modalidades proporcionam, ou seja, podem optar em fazer todo o acompanhamento das aulas presencialmente, podendo optar por parte das aulas realizadas a distância.

Conforme os dados do MEC/INEP de 2006 o ensino superior presencial no Brasil têm tido um grande crescimento e uma evolução considerável no que se diz respeito a números de instituições. Porém, é importante ressaltar que quantidade não caracteriza a qualidade, desta forma é de fundamental importância repensar no ensino superior brasileiro para que todo o projeto pedagógico evolua de acordo com o desenvolvimento da sociedade e incorpore suas tecnologias da informação e comunicação tornando-se uma educação flexível que valorize a comunidade acadêmica como um todo.

Observamos que com estas informações é possível compreender e se preparar para as mudanças que tanto a sociedade e as instituições de ensino almejam e necessitam. Porém, os países devem realizar as mudanças de acordo com as suas características tanto como especificidades, pois tanto professores, alunos e instituições teriam melhor rendimento e contribuiria melhor a sociedade vivenciando e estudando sob as condições afetivas, morais, sociais e políticas de sua região. A partir da crise iniciada na década de 1970 e com o advento da Revolução Tecnológica surge a reestruturação produtiva, que é uma transformação e acumulação da produção repercutindo no cenário mundial do trabalho, alterando processos, gestão, relações, consumo, produção do trabalho. Exigindo um novo profissional, um trabalhador que diante de tantas inovações é cobrado uma postura multifuncional, que saiba se adaptar às mudanças.

O trabalhador deve-se manter qualificado, ou estará predestinado a se tornar um profissional obsoleto e excluído do mercado de trabalho formal. Diante desta reviravolta no mundo trabalho, realizamos no próximo capitulo reflexões a respeito da reestruturação e sua influência no profissional educador do ensino superior.

3. REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E OS PROFESSORES

As transformações no modo de trabalho e na produção acontecem desde os primórdios da sociedade. Porém em alguns momentos essas transformações são mais marcantes e influenciam todo o sistema social. Um exemplo disso foi à introdução da máquina a vapor no mundo da produção e do trabalho, provocando mudanças radicais no modo de viver, produzir e trabalhar. No final do século XVIII começaram a surgir às indústrias urbanas, que atraíram milhões de camponeses para as cidades. Essas modificações ocorridas chamada de revolução industrial fizeram com que desse inicio a produção mecanizada.

A partir da revolução industrial houve um acumulo de invenções e descobertas aliada a uma competição aguda nos mercados internacionais, consequentemente chegando a outra fase de transformações e novas maneiras de trabalhar e de organizar a produção. Essas novas mudanças são chamadas de reestruturação produtiva. Com a reestruturação produtiva sempre esteve em paralelo à tecnologia, sendo a mudança tecnológica mais evidente e importante é a utilização da microeletrônica que provocaram, por exemplo, a automatização, a automação, e a robótica. Assim surgiram novas mudanças onde profissionais, empresas e todos os setores da sociedade tiveram e tem a necessidade de variar suas produções, a organização do trabalho, ter maior agilidade, custos menores e melhores atendimentos.

Diante de tantas mudanças ocorridas e como conseqüência o surgimento de novos elementos introduzidos no mundo do trabalho acabou afetando distintos profissionais e, diferentes ramos de atividade, sendo necessário, por parte deles outra postura, requerendo outras habilidades, conhecimentos, atitudes, competências e capacidades para o individuo ingressar e/ou permanecer no mundo do trabalho. Analisando no contexto educacional é de fundamental importância rever os perfis profissionais e os processos de formação das escolas e universidades haja vista que é imprescindível que as instituições de ensino e os profissionais da educação estejam atualizados.

Comparado à realidade vivenciada na sociedade e possibilitando assim a imersão da comunidade escolar e acadêmica a cultura digital, a nova organização do mundo do trabalho, aos novos paradigmas organizacionais e principalmente cumpri com sua função social que é de preparar cidadãos para o trabalho e para a vida, ou então esta escola e/ou universidade estará fadada a se tornar desinteressada, obsoleta e não cumprirá suas funções. Conforme Da Silva (2006) reforça afirmando que:

As instituições escolares também sofreram influência das transformações ocorridas no mundo do trabalho e, assim, elas acabam apresentando um comportamento semelhante ao do mundo da produção, até porque a sociedade organiza-se nos moldes do sistema vigente, ou seja na produção da vida material dos indivíduos e nas relações que ocorrem entre eles. Como o mundo do trabalho teve que se adaptar com a introdução das novas tecnologias, com estrutura de trabalho flexível, horizontal e integrada, marcada pela exigência de profissional polivalente, competitivo e coletivo, a escola, conseqüentemente, tem a sua estrutura reorganizada apresentando estas mesmas características. . (DA SILVA, 2006, p.140). Para que os professores estejam preparados é importante que seja revisto a sua atuação docente, a qualidade dos processos educacionais, se atualizarem sobre outras teorias de ensino, introduzir novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem, ou seja, ir além do (quadro-negro, giz, livro didático) e emergir paralelamente ao computador, softwares e outros recursos tecnológicos.

Os profissionais do mercado de trabalho no século XXI incluindo os professores são cobrados principalmente no que diz respeito a habilidades e competências, sendo habilidade a capacidade de agrupar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informação, etc.) para solucionar uma série de problemas e a competência é o saber fazer. Portanto, atualmente há a exigência de que os profissionais da educação possuam, habilidades, aptidões, conhecimentos, competências e interesses esperados de um profissional que atenda a nova realidade, tendo em vista a sua atividade, o contexto social, tecnológico e cultural em que atuam para a continuação na formação de profissionais com essas peculiaridades.

Uma das formas de possibilitar um professor melhor preparado/capacitado para enfrentar o cotidiano nas universidades ou nas escolas diante das novas exigências do mundo trabalho e que atenda as necessidades sociais é importante que se inicie pela sua formação e este é a temática abordada na seqüência.

3.1. FORMAÇÃO DE PROFESSORES

A educação superior tem como objetivo principal formar recursos humanos de qualidade, promover por meio da pesquisa o progresso do conhecimento, e a formação reflexiva, competente, criativa e critica dos alunos. Para que se possa concretizar esta meta, faz-se necessário um maior envolvimento e compromisso do professor. Pois assim surge à necessidade do educador do ensino superior no século XXI ser reflexivo, ou seja, repensar sua prática pedagógica, pesquisar e testar outras teorias de aprendizagem almejando cada vez mais a aprendizagem significativa, valorizando o conhecimento prévio do aluno e promovendo o espírito investigativo e a capacidade de resolver problemas. Possibilitando assim uma formação profissional que conduzirá o discente a contribuir efetivamente no desenvolvimento cultural, social e econômico da sociedade.

De acordo com Tozetto (2008), o processo para tornar o professor reflexivo exige interações, encontros, discussões, avaliações e a troca de experiências sobre novas experiências realizadas e as metodologias inovadoras. A qualificação pedagógica dos professores universitários, conforme Behrens (in MASETTO, 1998), deve levar em consideração alguns pressupostos essências nesse processo:

O professor precisa ser critico reflexivo, pesquisador, criativo, inovador, questionador, articulador, interdisciplinar e saber praticar efetivamente as teorias que propõe aos seus alunos. O professor prepara o aluno para ser crítico e reflexivo. Ao buscar a inovação, questionar suas ações, ser critico e criar o hábito da leitura das informações seja pelos livros, seja por acesso aos meios informatizado. Que ao encontrar a informação, seja capaz de analisá-la, criticá-la, refletir sobre ela e ter competência de elaboração própria com os referencias pesquisados. Precisa saber elaborar projetos criativos ter habilidade para defendê-los. A metodologia, a opção metodológica, precisa vir assentada em novos pressupostos, que parecem indicar forte tendência para uma abordagem progressista (com relações dialógicas, trabalho coletivo, discussões críticas e reflexivas). Aliada ao ensino com pesquisa (visando à investigação para a produção de conhecimento), que contemple uma visão holística (resgate o ser humano em sua totalidade, considere o homem em suas inteligências múltiplas, leve à formação de um profissional humano, ético e competente), alicerçada numa tecnologia inovadora (com utilização de recursos informatizados e bibliográficos inovadores).

Assim, Tozetto (2008) afirma que o docente precisa também criar seus projetos, vender suas idéias, ser ativo e ter competência para ser autônomo na produção de conhecimento e ao mesmo tempo compartilhá-lo. Além de ter um perfil “[...] de professor flexível, aberto à mudança, capaz de analisar o seu ensino, autocrítica, com um amplo domínio de competências cognitivas e relacionais.” (GARCIA, 1999, p 42 apud TOZETTO, 2008). É importante salientar que não basta o professor adotar as competências referenciadas anteriormente para que os seus alunos tenham uma aprendizagem significativa. Os problemas envolvendo a formação de professores são bem mais amplos e ocorrem em vários países como Inglaterra, Espanha e Argentina. Como afirma Iara Prado (2000) Secretária de Educação Fundamental do Ministério da Educação (MEC):

Estamos vivendo um momento de mudanças no sistema econômico, nas relações da sociedade e no papel da escola. São mudanças sobre o que a escola precisa oferecer ao aluno para que ele se torne um cidadão. São mudanças sobre como o professor precisa ser formado para dar conta de toda essa conjuntura. (PRADO, 2000, p. 129) Mesmo sabendo da necessidade das mudanças o MEC ainda não possui uma política clara, porém durante quatro anos de trabalho através de uma definição de metas de qualidade curricular para o País foi elaborada uma proposta que não é obrigatória, sendo apenas um referencial de qualidade. Através desta proposta aliada com pesquisadores internacionais e de universidades nacionais foi feito um levantamento de vários requisitos identificados como necessários para a revisão da formação inicial e continuada do professor adequado para atuar nos próximos anos.

Com a construção deste referencial ficou evidente que é impossível criar uma política sem a participação das universidades e escolas de ensino médio que forma professores de escolas do ensino fundamental. E mesmo assim existe certo distanciamento por parte das universidades, pois o debate não está posto com a devida força dentro delas devido à caracterização do sistema universitário neste País. (PRADO, 2000, p. 129). Aportando-se em PRADO (2000) o perfil do professor do futuro que precisaríamos formar proposto no Referencial Curricular para a Formação de Professores diz que:

“Um professor precisa, sem dúvida nenhuma, criar, saber, planejar, realizar, gerir, avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos, utilizando os conhecimentos das áreas a serem ensinadas, das temáticas sociais transversais ao currículo escolar, bem como as respectivas didáticas. Ele precisa utilizar diferentes e flexíveis modos de organização do tempo, do espaço e de agrupamento dos alunos para favorecer e enriquecer o processo de aprendizagem. Ele precisa analisar diferentes materiais — recursos para utilização didática — diversificando as possíveis atividades e potencializando seu uso em situações distintas. Ele precisa utilizar estratégias diversificadas de avaliação da aprendizagem e, a partir de seus resultados, formular propostas de intervenção pedagógica. Ele precisa participar coletivamente e cooperativamente da elaboração, da gestão e do desenvolvimento da avaliação do projeto educativo.” (PRADO, 2000, p. 130)

De acordo com PRADO (2000) o professor do futuro que precisaríamos formar no que diz respeito aos conhecimentos essenciais proposto no Referencial Curricular para a Formação de Professores diz:

Quanto ao conhecimento que o professor deve ter, propomos que se garantam certos conteúdos em sua formação. Todo professor deve deter conhecimento sobre crianças, jovens e adultos. Ele precisa ter cultura geral e profissional, ou seja, precisa saber matemática, língua portuguesa, ciências, geografia, etc. Tudo isso não é suficiente hoje, pois estamos saindo de uma escola basicamente transmissora de conhecimento. Assim, quando um professor sai da universidade, já está ultrapassado. O professor deve ter conhecimento sobre as dimensões culturais, sociais e políticas da educação, porque a escola está dentro de uma comunidade. Como decorrência da escola transmissora apenas de conteúdos, nossos professores não têm prática de trabalho coletivo, que é inerente à ação de ensinar. Se induzirmos as escolas a recuperar o gosto pelo trabalho coletivo, certamente vão conseguir elaborar um projeto educativo que não seja postiço, formal e burocrático. Outras áreas necessárias ao professor são o conhecimento para atuação pedagógica e o conhecimento experiencial contextualizado na ação pedagógica. É preciso ensinar o professor a transpor tudo o que ele aprendeu na esfera do saber para a do fazer. Saber é muito diferente de saber ensinar e construir estratégias para isso. (PRADO, 2000, p. 131)

Segundo PRADO (2000) é evidente que a grande tarefa é integrar os três aspectos: formação inicial, formação continuada e carreira, reconhecendo que o desenvolvimento profissional do professor envolve também avaliação do trabalho dele junto aos alunos. Diante de algumas exigências apresentas é compreensível entender que são apenas uma parte considerada próximas das ideais que um professor deve ter para desempenhar apropriadamente sua função. É perceptível que na realidade estamos muito longe disso, pois possuímos uma formação inicial fragmentada. Portanto todas essas questões são propostas para levantar o debate sobre a construção de uma política nacional de formação inicial e continuada dos professores.

3.2. FORMAÇÃO DE PROFESSORES E AS NOVAS TECNOLOGIAS

A sociedade moderna vive em constantes mudanças, tem sido assim em diversos setores como na política, economia e etc. Esta sociedade do século XXI possui muito mais acessos à tecnologia e a informação, fazendo com que emergisse a chamada sociedade do conhecimento, nada mais justo que inserir toda essa modernidade, tecnologia e informação ao ambiente escolar, pois é essencial que a educação também acompanhe a evolução da sociedade. A necessidade da inserção das novas tecnologias no ensino superior é basicamente no sentido da imersão da comunidade acadêmica a cultura digital e principalmente cumpri com sua função social que é de preparar cidadãos para o trabalho e para a vida, ou então esta instituição estará fadada a se tornar desinteressada, obsoleta e não cumprirá suas funções.

Para se utilizar as novas tecnologias do contexto educacional de forma que possa contribuir para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem e ao mesmo tempo favorecer o acesso à inclusão digital/social faz-se necessário tomar algumas medidas. Os autores destas medidas são principalmente as universidades, os professores e as escolas. As universidades principalmente as que possuem cursos de licenciatura necessitam acrescentar em suas grades curriculares disciplinas que envolvam o uso do computador e outras tecnologias. Segundo José Armando Valente, hoje, o computador passou a fazer parte da lista de material que o aluno da graduação deve adquirir e o seu uso se tornou rotineiro em praticamente todas as atividades: desde a produção de documentos, uso em sala de aula e em laboratório, consulta a banco de dados, comunicação entre alunos e aluno-professor e desenvolvimento das disciplinas. 

Ou seja, o aluno sai da universidade com um bom conhecimento sobre a utilização da informática, porém o processo pedagógico envolvido no preparo do aluno para atuar na área da sua formação com as novas tecnologias não é enfatizado como se deveria. É possível muitas vezes encontrar professores jovens e/ou recém formados que já estão mais acostumados com as ferramentas áudio/visuais e digitais que decidem por iniciativa própria realizar atividades diferenciadas, mas pela falta de apoio, de recursos e infra-estrutura acaba se desestimulando.

A escola e os professores tem o papel fundamental também no sentido de integrar as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTICs) pois elas estão presentes e influentes em todas as esferas da vida social, cabendo a  escola, especialmente à escola pública atuar no sentido de compensar as disparidades sociais e regionais que o acesso desigual a estas máquinas tem gerado. Ao professor cabe o desejo de evoluir e refletir sobre o uso das novas tecnologias, mudar o seu perfil, redefinir o seu papel, ampliar seus conhecimentos para poder lidar com as transformações ocorridas na sociedade. É preciso haver questionamentos, reflexões e mudanças sobre atividades educativas que podem tornar-se interessantes aos alunos com o uso de novos instrumentos, fazendo com que o aluno pense, questione e desenvolva a sua autonomia.

As escolas e as universidades cabem a responsabilidade de apoiar e incentivar seus professores a se atualizarem, através de cursos, projetos e principalmente com as formações continuadas, mas estas formações geralmente preparam os professores através de treinamentos rápidos de informática básica. Outras vezes as aulas são ministradas por um técnico contratado pela instituição, sem a preocupação com a integração do computador ao processo pedagógico, reduzindo esta tecnologia a práticas que tornam o aluno um simples usuário competente na realização de seus trabalhos escolares/acadêmicos. Neste sentido é que se entende que a formação do educador seja para além do técnico, ou seja, não basta saber usar o computador, não é a quantidade e a qualidade dos equipamentos que irão garantir que a formação e o processo com os alunos sejam de qualidade.

Independente da categoria que esteja inserido o professor, a informática tende a cada vez mais estar presente em sua rotina de trabalho e por este motivo é preciso que estes tenham acesso a centros de formação e reciclagem nessa área. É de fundamental importância investir na formação dos docentes, não só investindo na aquisição de conhecimento mínimo sobre informática. Mas sim possibilitando a reflexão, de modo a garantir que a inserção dos computadores no processo de ensino–aprendizagem aconteça de forma crítica; e não simplesmente pelo fato deles trazerem certo status para a instituição de ensino ou instrumentalizar-se como conhecimento necessário para que o aluno aprenda o manuseio de um equipamento para atender às novas exigências do mercado de trabalho. (LIMA, 2001. p. 37).

Portanto é fundamental que Universidades, escolas e professores conheçam as novas formas de aprender e de ensinar, bem como de produzir, comunicar e representar conhecimento, possibilitadas por esses recursos, que favorecem a democracia e a integração social. Como já mencionado o papel das formações continuadas para os professores são importantes e por isso refletirmos sobre este assunto a seguir.

3.3. FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES

Temos a formação inicial que compreende o período de aprendizado em que o aluno esta realizando a sua graduação em alguma instituição de ensino superior e temos ainda a formação continuada, sendo esta com finalidade diferenciada. A formação continuada no contexto da educação é voltada para o aprimoramento continuo e permanente dos profissionais da educação. Compreendendo os professores, como os diretores, os orientadores educacionais, os supervisores pedagógicos e os administradores escolares que estejam em exercício. Nestas formações são enfatizados importantes aspectos ligados à atuação profissional como a formação, a profissão, a avaliação e as competências. Silval e Araujo (2005) reforçam dizendo que:

[...] a formação continuada de professores, deve incentivar a apropriação dos saberes pelos professores, rumo à autonomia, e levar a uma prática crítico-reflexiva, abrangendo a vida cotidiana da escola e os saberes derivados da experiência docente. (SILVA e ARAÚJO, 2005, p. 05)

Como referenciado a função da formação continuada é de fundamental importância para as instituições de ensino, para os professores e principalmente para o processo de ensino-aprendizagem do aluno. A formação continuada do professor universitário também é muito importante, pois assim possibilitaria cumprir seu papel como um instrumento de qualificação pedagógica dos docentes.

Contribuindo na prática da docência reflexiva, na divulgação dos conhecimentos e experiências adquiridas através da realização de eventos, publicações e a efetivação das diretrizes definidas no Projeto Pedagógico Institucional previsto para os cursos de graduação e seqüenciais. De acordo com Favarim (2006) os cursos de atualização ao longo da carreira do docente do ensino superior é uma necessidade, mas é importante seguir algumas sugestões evidenciadas nos resultados da sua pesquisa, que são:

Podemos dizer que os programas de formação continuada devem abranger as necessidades reais dos docentes e da instituição, e ambos devem caminhar juntos na busca de melhora da qualidade no ensino superior; O êxito na formação continuada é mais evidente quando se contempla não apenas o grupo de professores heterogêneos, mas também quando se trabalha com grupo de professores inseridos na mesma área de conhecimento, o que facilita a discussão e resolução de problemas comuns à equipe;

A teoria e a prática devem sempre interagir quando o assunto é formação continuada, pois, os resultados atingidos acabam superando os que seriam conseguidos através das aulas teóricas, além disso, quando se tem um projeto que envolva ensino-pesquisa-extensão, o retorno é mais abrangente, envolvendo não só o professor, o aluno e as IES, mas principalmente a sociedade; Os investimentos em programas de formação a curto prazo devem existir, pois, tem resultados imediatos, mas para que uma política de qualidade seja alcançada, o alvo não pode deixar de serem os programas a longo prazo;

Antes do compromisso com a disciplina, o compromisso do docente é com seus alunos, motivo pelo qual ele deve servir como facilitador, fazendo o que estiver ao seu alcance para que os alunos tenham acesso aos conteúdos e as práticas da disciplina. Por isso, fala-se tanto atualmente sobre a “dupla competência” dos bons professores: a competência científica, como conhecedores fidedignos do âmbito científico ensinado, e a competência pedagógica, como pessoas comprometidas com a formação e com a aprendizagem de seus estudantes. (ZABALZA, 2003, p. 169 apud FAVARIM, 2006, p. 04);

Os programas de formação continuada devem tem como foco não só a atualização de conhecimentos específicos em cada área de conhecimento, mas também a busca de técnicas de ensino-aprendizagem que tenham como referencial a aquisição de conhecimentos por parte do aluno; É preciso analisar que, para que os projetos de formação continuada se desenvolvam com sucesso, faz-se necessário que eles estejam inserido nos Projetos Político-Pedagógicos das IES, pois, só assim serão trabalhados com interesse e seriedade, sem abraçar interesse individuas de grupos isolados.

Portando é primordial que o professor da educação superior tenha essa preocupação e compromisso como formador, em se (re)qualificar, em estar se atualizando, pois ele é topo de uma cadeia que no final poderá estar formando um aluno mais preparado para a sociedade atual com uma carreira profissional sólida e transformadora. No capitulo seguinte propomos uma reflexão quanto às novas exigências do professor de ensino superior.

4. AS NOVAS EXIGÊNCIAS DO PROFESSOR DE ENSINO SUPERIOR

A sociedade tem vivenciado uma constante transformação, culminando no que chamamos hoje de sociedade da informação e do conhecimento, onde inúmeras inovações tecnológicas, novas profissões, novos conhecimentos orais, escritos, digitais são desenvolvidos e permeia e integra-se nesta sociedade.  Algumas modificações são tão velozes que quando se percebe as transformações já ocorreram tanto no convívio social, no comportamento, nos valores, quanto nos costumes dos indivíduos. Desta forma, é também papel da educação e dos professores a entender e atender às necessidades atuais da sociedade. Os professores tem tido a necessidade e a responsabilidade de acompanhar toda essa evolução, adequando métodos e técnica para beneficiar os aprendizes. Para iniciar reflexões a respeito das novas exigências do professor do ensino superior abordaremos as seis propostas para o próximo milênio de Ítalo Calvino sob a ótica de Laurinda Ramalho de Almeida.

Na obra Seis proposta para o próximo milênio, Ítalo Calvino (1995) referencia os valores literários que merecem ser preservados neste século: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência. Calvino foi convidado para um ciclo de conferências que se realizam ao longo de um ano na Universidade de Harvard em Cambridge onde iria proferir os seis valores que daria origem a seis conferências, porém Calvino veio a falecer em 1985 deixando pronta apenas cinco das seis conferências.

E sob essas propostas a professora e pesquisadora Laurinda Ramalho de Almeida com base em algumas das proposições do autor refleti sobre as diretrizes para formação de professores, tendo assim um complemento para entender o perfil do professor que atenda as necessidades sociais da atualidade. Leveza - leveza que não significa deixar-se levar pelo aleatório e pelo casuísmo, mas, sim, um modo de atingir os objetivos com determinação temperada com flexibilidade, empatia, otimismo e alegria.

Rapidez - entendida como efetivação da comunicação. Comunicação, diálogo que tenham como fonte um olhar atento, um ouvir ativo, um falar autêntico. Lembrando que, sendo o ensino uma atividade relacional por excelência, as habilidades de relacionamento interpessoal são condições para a focalização e construção do conhecimento.

Exatidão - uma intencionalidade claramente definida que leve em conta o fato de que quanto maior o entrecruzamento dos projetos pessoais e existenciais dos formadores e formandos com o projeto coletivo da escola, maior a probabilidade do projeto de formação atingir seus objetivos. Dessa intencionalidade derivam os conteúdos formativos e a organização das situações de aprendizagem, com a lembrança de que, ao lado dos conteúdos escolares, os métodos empregados, as atitudes dos professores, a estrutura e a gestão da escola são instrumentos fortemente formadores.

Visibilidade - ao desenvolver no formando a sensibilidade para com as pessoas e as coisas que o cercam no mundo, lembrando que da valorização sensível do outro e do mundo decorrem a aceitação e o respeito, de si e do outro, substratos necessários à constituição dos valores de justiça e de solidariedade.

Multiplicidade - cultivando no formando um olhar múltiplo, capaz de captar a complexidade das pessoas e dos fatos, que o leve à compreensão, aceitação e integração do igual e do diferente. Lembrando que nesse processo é fundamental que o formador apreenda os sentimentos e as cognições do formando e que o ajude a construir, ele mesmo, o sentido daquele objetivo/conteúdo/situação organizadora de aprendizagem propostos pelo formador.

Consistência – Calvino não chegou a escrever a consistência, mas Laurinda Ramalho de Almeida afirma que para ser consistente, um projeto de formação de professores deve contar com formadores que tenham força de vontade e fé na causa da educação. E, sobretudo, que estejam dispostos a educar o indivíduo completo: sentimento, razão e corpo. De acordo com as pesquisas realizadas pela UNESCO os acadêmicos vêem a necessidade das universidades terem uma atuação mais contundente no que diz respeito a sua prática social, desta forma dentre uma das exigências proposta por este estudo é a educação em direitos humanos no âmbito universitário, na seqüência abordamos a temática mais aprofundadamente.

4.1. EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

Uma das metas das instituições de ensino superior é possibilitar uma formação acadêmica e profissional que conduzirá o discente a contribuir efetivamente no desenvolvimento cultural, social e econômico da sociedade. De forma a contribuir neste pensamento considero importante uma ação social e comunitária mais incisiva, para isso é importante que os professores oportunizem situações e as universidades integrem nos seus Projetos Políticos Pedagógicos ações relacionadas à educação em direitos humanos. Para desenvolver as temáticas relacionadas aos direitos humanos poderia ser discutido questões como o do próprio direitos humanos, direitos do consumidor, ética, cidadania, acesso a bens e serviços públicos, participação social, direito à cultura e ao lazer, além de assuntos ligados ao cotidiano vivenciado na comunidade ou cidade. Desta forma conforme Salgado (2008) proporcionam aos alunos a oportunidade de vivenciar situações de conflito e negociações para sua superação, de dimensionar conquistas, avanços e recuos, refletindo sobre as práticas sociais e consolidando suas experiências. Ainda Salgado (2008) complementa afirmando que:

Nessas reflexões, os jovens aprendem a avaliar o alcance de suas ações, as formas de encaminhamento das demandas e os meios de realização, sendo levados as compreender a importância e a eficácia do trabalho coletivo e solidário e tudo que isso pode representar em termos de aprendizado e desenvolvimento de competências e habilidades, visando à participação cidadã dos jovens. (SALGADO, 2008, p. 23). De acordo com Betto (1993) para se implantar a educação em direito humanos, deve-se iniciar com um processo de formação inicial, uma qualificação para os que forem se dedicar a educar. Este educador devera superar as concepções idealistas, não mostrar apenas uma visão política, religiosa, metafísica ou abstrata.

Seu papel em suma seria o de questionar a desigualdade de situações e propor possíveis mudanças nessas suas causas. A educação em direitos humanos possibilitará ao educando compreender o sentido do direito pessoal e coletivo e assim conseqüentemente oportunizar a condição de um Estado verdadeiramente democrático. Segundo Betto (1993) a metodologia mais adequada à educação em direitos humanos é a da educação popular inspirada no método Paulo Freire porque considera o educando o centro do processo e parte de casos concretos e utiliza recursos como dramatização, simulação de casos, desenhos, jogos, pesquisas e dá valor a narrativa oral e existencial dos educandos.

Portanto desta forma o professor não irá educar e sim de ajudar o aluno a se educar, onde todo processo tem como ponto de partida e de chegada às ações dos sujeitos (educando e educadores) objetivando a metamorfose da realidade em que vivenciam. O ensino, pesquisa e extensão são obrigações das universidades, porém uma atuação mais ampla pode contribuir mais ainda para a sociedade, bem como para a comunidade acadêmica. Sobre este assunto trataremos na seqüência.

4.2. ENSINO, PESQUISA, EXTENSÃO

A Universidade é o local mais indicado para que haja a pesquisa, não fugindo da tríade ensino, pesquisa e extensão que juntas forma uma importante estrutura que oportuniza a formação profissional (ensino) aliada à produção e divulgação cientifica (pesquisa) e ainda oferece um retorno de alguma forma para a comunidade através do compromisso social fundamentado pela universidade (extensão). No que diz respeito à legislação referente à tríade abordada temos assegurado pelo art. 207 da Constituição Federal, pelo art. 9º do Decreto nº 2.306 de 1997 e pelo disposto no art. 52 da Lei nº 9.394 de 1996 que: “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.

Em regulamentação à Lei de Diretrizes e Bases, o Decreto nº. 2.306 , de 19 de agosto de 1997 no seu art. 8 quanto a organização acadêmica, classifica as instituições de ensino superior do sistema federal de ensino em: universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades e institutos superiores ou escolas superiores, onde a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão é obrigatória somente a primeira. Com relação ao ensino Libâneo (1994) afirma que trata-se do termo, que admite onde e quando ocorre a instrução: 

A instrução se refere à formação intelectual, formação e desenvolvimento das capacidades cognoscitivas mediante o domínio de certo nível de conhecimentos sistematizados. O ensino corresponde a ações, meios e condições para realização da instrução; contém, pois, a instrução. (LIBÂNEO, 1994, p. 23). Assim, evidenciando Libâneo (1994) o ensino é o principal meio da educação.

No que se refere à pesquisa ANDRADE (2003) afirma que:
[...] é o conjunto de procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utiliza a utilização de métodos científicos.  (ANDRADE, 2003, p 121).

No âmbito das universidades são realizadas as pesquisas acadêmicas e/ou pesquisas científicas que geralmente são orientadas por pesquisadores/professores em sua maioria com titulações de mestres e doutores que através da investigação objetivam produzir conhecimento para atender às exigências da vida moderna e/ou contribuir para o progresso da ciência. Para que possa realizar a pesquisa existem alguns requisitos básicos que envolvem a qualificação do pesquisador, recursos humanos, materiais, financeiros e exigindo dos pesquisadores, paciência, curiosidade, atitude, sensibilidade e tempo de dedicação. Já a extensão ou extensão universitária/acadêmica é uma ação que universidade faz com ou na comunidade, onde aplica ou fornece seus conhecimentos de ensino e pesquisas desenvolvidas, podendo assim surgir novos conhecimentos ou pesquisas. A extensão na universidade é maneira de oferecer um retorno à sociedade, pois esta contribui através dos seus impostos para o funcionamento das universidades públicas, podendo desta forma todos os conhecimentos gerados pelas instituições possam e se possível devem possuir intenções de modificar a realidade social e intervindo nas suas deficiências. Podem-se considerar modalidades de extensão desenvolvida pela universidade, programas, projetos, cursos, eventos e prestação de serviços.

4.2.1. Ensino, pesquisa e extensão na escola

Com a promulgação e reformulação da Legislação Brasileira na Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96 especificamente no que tange a formação de professores no Brasil, houve a inclusão das escolas básicas e de seus professores como parceiros nas tarefas de formação, ou seja, nas tarefas das universidades. Assim as instituições formadoras reconhecem a força da escola como fonte de formação docente e esta contribuem para a transformação da escola. (DIAS DA SILVA, 2005 p. 382).

Em alguns casos isto já vem acontecendo, porém estas iniciativas não podem ficar baseadas em acordos ou relações pessoais de um ou outro professor mais comprometido. É imprescindível que estes projetos sejam implementados de forma oficial, através de convênios e acordos entre escolas e instituições formadoras visando um processo de mutua colaboração, tanto as escolas e seus professores qualificam a formação de nossos licenciados, quanto à universidade contribui para a qualificação das escolas, seus projetos e professores.

Poderia ser interessante e benéfico se as universidades desse mais apoio, firmasse parcerias ou que viabiliza-se estágios em escolas públicas de bairros e/ou comunidades carentes onde é muito maior a necessidade de materiais, cultura e apoio aos profissionais da educação. (DIAS DA SILVA, 2005 p. 393). As escolas por sua natureza é uma inesgotável fonte de pesquisa e extensão para as universidades. Porém algumas escolas ou diretores são mais resistentes a estas parcerias ou até mesmo por possuírem ritmos próprios, suas regras e ritos podendo inviabilizar ações formativas para os licenciandos e para os professores.

É inevitável também não perceber a displicência de algumas universidades com relação ao cotidiano das escolas básicas e as disparidades entre professor da universidade e professor da escola mesmo sendo da mesma área da educação, podendo em alguns casos ocorrer até certa discriminação; para alguns professores universitários sair do campus e pisar no chão de uma escola pública é sinônimo de regressão. (DIAS DA SILVA, 2005 p. 395).

Outro ponto preponderante é a necessidade de haver uma remuneração dos profissionais parceiros da formação, afinal os professores de ensino fundamental e médio já vêem sobrecarregados de tarefas e demandas, em um ambiente com condições precarizadas de trabalho. Seria o mínimo a contribuir com o professor parceiro dado o investimento de tempo e trabalho que ele oferece nos projetos de formação. (DIAS DA SILVA, 2005 p. 398). Uma outra discussão e exigência proposta por este estudo é a atuação do professor com pesquisador, abordado a seguir.

4.3. PROFESSOR PESQUISADOR

Na atualidade muito tem se discutido sobre professores, pesquisadores e a formação de professores pesquisadores. Inicialmente para compreender o que vem a ser professor pesquisador é necessário saber qual é o papel do professor e do pesquisador. Segundo Lima (2007) o professor é aquele profissional que ministra, relaciona ou instrumentaliza os alunos para as aulas ou curso em todos os níveis educacionais, seguindo concepções que regem esse profissional da educação;

O pesquisador é aquele que exerce a atividade de buscar reunir informações sobre um determinado problema ou assunto e analisá-las, utilizando para isso o método científico com o objetivo de aumentar o conhecimento de determinado assunto, descobrir algo novo ou refutar conjecturas anteriores. O ponto fundamental da discussão é como aliar o professor ao pesquisador e se isso é possível, pois existem grupos que divergem deste tipo de formação. Segundo Lima (2007) um grupo defende a idéia de que a atividade de ensinar é distinta da atividade de pesquisar e devem ser desenvolvidas em formações diferentes, como os que afirmam que:

[...] o professor e o pesquisador têm trajetórias profissionais distintas e, portanto, a formação desses profissionais deve estar voltada para o desenvolvimento de competências compatíveis com o exercício de cada uma dessas funções (SANTOS, 2004, p.14 apud LIMA, 2007). 

Por outro lado, há aqueles que são:

[...] defensores da pesquisa como elemento essencial no trabalho docente e, conseqüentemente, nesta visão, os cursos de formação docente devem voltar seus currículos para a preparação dos professores para o exercício dessa atividade (SANTOS, 2004, p.15 apud LIMA, 2007). Notadamente é uma questão que merece e deverá ser muito discutida, porém vale destacar que o papel do professor e do pesquisador é importante, mas para que se tenha um professor pesquisador ou o mais próximo dele, segundo Backes (2007) seria a formação de um professor reflexivo/pesquisador, pois assim seria possível formar um profissional capaz de analisar sua ação, podendo assim realizar apontamentos e aperfeiçoar sua prática pedagógica, oportunizando cada vez mais a formação de profissionais críticos e voltada para o pensamento e não para a recepção de informações.

Para tanto, nota-se a necessidade da adequação dos cursos de formação de professores para que haja uma sólida formação teórica dos docentes ou futuros docentes disponibilizando recursos para que estes consigam manter uma postura critica e reflexiva sob sua prática e concomitantemente podendo aprimorá-la. Diante de tanta influência das novas tecnologias no nosso cotidiano, uma discussão a respeito do ensino semipresencial e online não poderia ficar de fora, por isso comentamos sobre esse assunto na seqüência.

4.4. ENSINO SEMI-PRESENCIAL E ONLINE

Para incluir a comunidade acadêmica de forma a acompanhar a evolução tecnológica na qual passamos e não deixá-los obsoletos, pode-se utilizar os recursos tecnológicos como os Ambientes Virtuais de Aprendizagem[1] (AVA), sites dinâmicos, ferramentas ou recursos computacionais voltado a interação no processo de ensino-aprendizagem no ensino superior, podendo proporcionar ao acadêmico, uma formação condizente com a sua realidade onde a tecnologia se faz presente no cotidiano de boa parte da população. É possível destacar também que através da utilização das TICs e um bom planejamento pedagógico pode-se favorecer o desenvolvimento crítico do individuo e também pode facilitar a sua aprendizagem de forma que o próprio aluno consiga aprender em seu ritmo.

Com a utilização de AVAs, sites dinâmicos, etc. na educação superior seria oportunizado ao aluno e ao professor, uma nova abordagem metodológica fazendo com que ambos vivencie um prática cooperativa e interdisciplinar de construção da aprendizagem de forma inovadora. Mas para isso Grings (2000) afirma que: [..] faz-se necessário desde o princípio que educadores, depreendam um esforço para encontrar estratégias que venham aproximar a docência no ensino superior às demandas do mundo atual, a reestruturar seus paradigmas, tentando não perder de vista o aspecto qualitativo da vida acadêmica reflexiva, científica e profissional. (GRINGS, 2000, p. 2).

Segundo Piaget:

[...] o principal objetivo da educação é criar homens que sejam capazes de fazer novas coisas e não de simplesmente repetir o que outras gerações fizeram, homens que sejam criativos, inventores e descobridores; o segundo objetivo da educação é formar mentes que possam ser criticas, que possam analisar e não aceitar tudo o que lhes é oferecido. (PIAGET apud LEMOS 2004, p. 4)Esta nova abordagem metodológica pode contribuir para a formação de aluno melhor capacitado na prática profissional, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade, de acordo com Fagundes, Maçada e Sato (1999):

A grande maioria das metodologias educacionais, e de suas tecnologias, que atualmente são ensinadas nos cursos de formação de professores, mostram-se ineficientes para ajudar o aluno a aprender e desenvolver novos talentos. Não se sabe ajudá-lo a alcançar o poder de pensar, de refletir, de criar com autonomia soluções para os problemas que enfrenta". (Fagundes, Maçada e Sato, 1999 p. 13) apud (GRINGS, 2000, p. 5).

As instituições de ensino superior poderiam ter as aulas presenciais normalmente e poderia também estar realizando atividades mediada pela Internet, adotando um ensino bi-modal. Isto já é previsto em lei através da Portaria Nº 4.059 de 10 de dezembro de 2004 que prevê que as instituições de ensino superior poderão introduzir na organização pedagógica e curricular de seus cursos a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade semi-presencial, desde que não ultrapasse 20% da carga horária total do curso. Desta forma o aluno é beneficiando conforme Grings (2000) ampliando e enriquecendo os espaços de aprendizagem, privilegiando a atividade do sujeito na construção do conhecimento, possibilitando a interdisciplinaridade num ambiente de cooperação entre sujeitos e oportunizando um espaço de interação entre os sujeitos através de diferentes tipos objetos de conhecimento possibilitados pelo ambiente.

Segundo Lemos (2004) um sistema de ensino semi-presecial gera um ambiente enriquecido onde o aluno, o professor e os colegas, expressam, elaboram, compartilham, melhoram e entendem as suas criações, fazendo com que pensem o seu próprio pensamento, pois educação é mudança de comportamento. Neste sentido Moran (2005) afirma que: “O sistema bi-modal, semi-presencial – parte presencial e parte com atividades a distância - se mostra o mais promissor para o ensino superior: combina o melhor da presença física com situações em que a distância pode ser mais útil, na relação custo-benefício. Um dos principais desafios hoje das universidades e escolas, é tornar mais flexível o currículo de cada curso, integrando as atividades presenciais e a distância de forma inovadora.” (MORAN, 2005 p.1)

Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem e demais recursos computacionais similares podem contribuir para uma interação, porém Lemos (2004) afirma que: [...] não adianta simplesmente interagir em um ambiente sem estarmos integrados no grupo. A integração se dá pela troca de informações, de e-mails, nas publicações das atividades propostas, nas respostas às perguntas, na solução de dúvidas, na formação espontânea de grupos e conseqüente trabalho em conjunto. (LEMOS, 2004, p. 11)

A adoção do sistema de ensino bi-modal na educação superior possibilita o favorecimento e o estimulo da utilização da Web e da inclusão digital que podem ser empregadas como suportes de formação como um feedback extensivo para reforçar a aprendizagem. Além de contribuir para a difusão e divulgação de produções dos alunos, como projetos, pesquisas, incentivando, fomentando e estimulando o estudo e a produção científica. Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem ou e-learning [2]cooperam na construção do conhecimento onde segundo Lemos (2004), os alunos vivenciam novas experiências, são autores de sua aprendizagem, pois eles são os próprios construtores de seu desenvolvimento cognitivo, é o aprender a aprender.

A verdadeira educação se dá em um ambiente de troca, crítica, trabalho em conjunto, mesmo que seja um pequeno grupo a participar. Isto pode ser verificado quando os alunos interagem utilizando os recursos síncronos e assíncronos dos ambientes virtuais. (LEMOS, 2004, p. 9). A utilização destas ferramentas tecnológicas na educação pode provocar algum receio nos mais céticos, mas como diz Souza (2003): “Toda mudança gera desconfiança e um certo temor por parte dos envolvidos, porém, só acreditando nela é que poderemos obter modificações significativas.”  (SOUZA, 2003, pg. 34).

Portanto, sempre temos um ponto de partida, sempre temos que procurar inovar, buscar mudanças e transformações para acompanhar o desenvolvimento da sociedade e oportunizar aos alunos um aprendizado que contribua para a sua melhor formação e atuação profissional. Ao falarmos sobre ensino semi-presencial e online, não pode ficar de fora a discussão sobre a docência online, na qual comentamos na seqüência.

4.5. DOCÊNCIA ONLINE

O professor é aquele profissional que ensina um determinando assunto ou conteúdo através de aulas ou cursos em todos os níveis educacionais, como educação infantil, educação fundamental, ensino médio e superior, além do ensino profissionalizante e técnico. Para exercer esta profissão são necessárias qualificações acadêmicas e pedagógicas para que possibilite um processo de ensino-aprendizagem mais eficiente. A partir do surgimento da educação a distancia e mais recentemente a educação a distancia media pelas novas tecnologias da informação e comunicação (NTICs) surge um outro paradigma educacional a docência on-line que é o conjunto de saberes e práticas que envolvem a atuação docente, ou seja desde o planejamento até a avaliação final de um curso ofertado pela internet.

Para que possa ocorrer a docência on-line, é enganoso pensar que é simplesmente colocar o professor ministrando as aulas à distância ou que por ser a distancia o trabalho e mediação do professor será minimizada. Segundo os Referenciais de Qualidade Para Educação Superior a Distância elaborada pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Educação a Distância, o corpo docente, vinculado à instituição ofertadora do curso tem suas funções expandidas, por isso devem possui formação e experiência na área de ensino e em educação a distância.

De acordo com os Referencias de Qualidade Para Educação Superior a Distância em uma instituição de ensino superior que promova cursos a distância, os professores devem ser capazes de: Estabelecer os fundamentos teóricos do projeto; Selecionar e preparar todo o conteúdo curricular articulado a procedimentos e atividades pedagógicas; Identificar os objetivos referentes a competências cognitivas, habilidades e atitudes; Definir bibliografia, videografia, iconografia, audiografia, tanto básicas quanto complementares; 

Elaborar o material didático para programas a distância; Realizar a gestão acadêmica do processo de ensino-aprendizagem, em particular motivar, orientar, acompanhar e avaliar os estudantes; Avaliar-se continuamente como profissional participante do coletivo de um projeto de ensino superior à distância. De acordo com o mesmo referenciais (2007): O projeto pedagógico deve apresentar o quadro de qualificação dos docentes responsáveis pela coordenação do curso como um todo, pela coordenação de cada disciplina do curso, pela coordenação do sistema de tutoria e outras atividades concernentes. É preciso a apresentação dos currículos e outros documentos necessários para comprovação da qualificação dos docentes, inclusive especificando a carga horária semanal dedicada às atividades do curso. Além disso, a instituição deve indicar uma política de capacitação e atualização permanente destes profissionais. (Referencias de Qualidade Para Educação Superior a Distância, 2007, p. 20).

Apesar de não ser indicado pode acontecer de encontrar professores atuando como tutores nos cursos a distância, os tutores atua como um mediador e facilitador da aprendizagem, ele ajuda os alunos a desenvolverem as competências necessárias para compreenderem, assimilarem e aplicarem o conteúdo. Os tutores podem sugerir a forma como os alunos devem abordar e trabalhar com o conteúdo, e algumas vezes podem prestar esclarecimentos, mas só raramente apresentam o contexto através de uma instrução direta dos alunos. (O’ROURKE, 2003, p.36).

O tutor também possui funções como habituar o aluno a metodologia e material didático do curso, auxiliar e orientar os alunos no seu planejamento, estudo, avaliações, resolução de dúvidas seja em atividades individuais ou em grupos, estimular a participação, a superação de dificuldades e motivar para que o aluno seja o protagonista da sua aprendizagem. No contexto da docência online e não muito conhecida temos o docente online independente que é aquele professor que cria, divulga e oferece de forma autônoma os seus cursos a distância ou semi-presenciais com o apoio das tecnologias de informação e de comunicação (TICs), ou seja é um professor independente que deve possuir autonomia e competências para criar e administrar seus cursos ou serviços educacionais para o público.

Este profissional é um empreendedor educacional que não precisa ser contratado por uma instituição educacional, ele pode seguir suas próprias diretrizes curriculares ou organizacionais. (TRACTENBERG & TRACTENBERG, 2007, p. 01). De acordo com TRACTENBERG & TRACTENBERG (2007) existem seis competências essências da docência online independente que são: Competências técnicas: domínio do conteúdo;

Competências de empreendedorismo: atividades docentes enquanto empreendimento econômico, mercadológico, a divulgação e promoção junto ao público-alvo. Competências de planejamento pedagógico: domínio dos métodos de ensino-aprendizagem; Competências de mediação pedagógica: Envolvem capacidades de promover e coordenar discussões, construir relacionamentos e ambiente interpessoal positivo e motivador, entre outras;

Competências tecnológicas: domínio das tecnologias de informação e de comunicação requeridas para a condução das atividades; Competências gerenciais: capacidades de organização e coordenação das atividades e procedimentos relativos ao curso. 

Para o docente online independe são essas as seis competências essenciais, mas quanto maior for seu controle no planejamento, gerenciamento, avaliações e retorno financeiro nos cursos então ele este é considerado cada vez mais independente. Fica evidente que, a integração de recursos tecnológicos agora especialmente as NTIC no âmbito educacional provocou mudanças estruturais no sistema educacional, facilitando o acesso dos alunos e surgindo mais possibilidades de atuação do docente, porém ao mesmo exigindo maior capacitação, qualificação e emergindo novas competências. No entanto sempre haverá novas exigências ao buscar cada vez mais atingir uma proposta realmente eficiente para a educação.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente são indiscutíveis as mudanças provocadas pela reestruturação produtiva, à vertiginosa evolução dos meios de comunicação e ao mesmo tempo aparecendo novas exigências para os profissionais que desejam se ingressar ou permanecer no mercado de trabalho. Desse modo surge a necessidade da discussão a respeito das novas competências exigidas especialmente do professor do ensino superior. Diante disso, conforme a proposta deste trabalho foi realizada pesquisas de forma a colaborar na discussão a respeito do papel do docente do ensino superior frente às tantas transformações ocorridas na sociedade moderna.

Para a concretização do presente estudo, iniciamos a pesquisa analisando a educação e de forma mais ampla a educação superior e suas tendências para o século XXI. Discorremos também a respeito da reestruturação produtiva seus impactos no mundo do trabalho e as novas habilidades e competências exigidas, onde damos ênfase ao professor de educação superior abordando sobre sua formação inicial, continuada e sobre a sua formação mediante as novas tecnologias. Posteriormente descrevemos as novas exigências do professor do ensino superior sob aspectos como a educação em direitos humanos, ensino, pesquisa e extensão, professor pesquisador, ensino semipresencial e online e a docência online.

Em meio aos relevantes resultados observados foi possível notar através da pesquisa que alunos e professores anseiam por um ensino superior mais moderno que esteja inserido na realidade do mundo globalizado e que beneficie os alunos com um ensino atual focado no mercado de trabalho e que também beneficie a sociedade. Mas, ao realizar as mudanças, estas deverão ser de acordo com as características e especificidades de cada região, pois tanto professores, alunos e instituições teriam melhor rendimento e contribuiria melhor a sociedade vivenciando e estudando sob as condições afetivas, morais, sociais e políticas locais.

Através da pesquisa foi possível observar que diante de tantas mudanças ocorridas, novos elementos introduzidos no mundo do trabalho acabaram afetando distintos profissionais e diferentes ramos de atividade, sendo necessário por parte deles, outra postura, requerendo outras habilidades, conhecimentos, atitudes, competências e capacidades para o individuo ingressar e/ou permanecer no mundo do trabalho. Neste contexto cabe ao professor rever seus perfis profissionais e os processos de formação das escolas e universidades haja vista que é imprescindível que as instituições de ensino e os profissionais da educação estejam atualizados comparado a realidade vivenciada na sociedade e possibilitando assim a imersão da comunidade escolar e acadêmica  a cultura digital, a nova organização do mundo do trabalho, aos novos paradigmas organizacionais e principalmente cumpri com sua função social que é de preparar cidadãos para o trabalho e para a vida, ou então esta escola e/ou universidade estará fadada a se tornar desinteressada, obsoleta e não cumprirá suas funções.

Os profissionais do mercado de trabalho no século XXI incluindo os professores são cobrados principalmente no que diz respeito a habilidades e competências, sendo habilidade a capacidade de agrupar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informação, etc.) para solucionar uma série de problemas e a competência é o saber fazer. E não basta somente isso, pois para que os professores estejam preparados é importante que seja revisto a sua atuação docente, a qualidade dos processos educacionais, se atualizarem sobre outras teorias de ensino, introduzir novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem, e saber utilizar tecnicamente e pedagogicamente o computador, softwares e outros recursos tecnológicos. É notável ainda que haja a necessidade do educador do ensino superior no século XXI ser reflexivo/pesquisador, ou seja, repensar sua prática pedagógica, objetivando cada vez mais a aprendizagem significativa, valorizando o conhecimento prévio do aluno e incentivando o espírito investigativo e a capacidade de resolver problemas.

A formação continuada do professor universitário também é muito importante, pois assim possibilitaria cumprir seu papel como um instrumento de qualificação pedagógica dos docentes, contribuindo na prática da docência reflexiva, na divulgação dos conhecimentos e experiências adquiridas através da realização de eventos, publicações e a efetivação das diretrizes definidas no Projeto Pedagógico Institucional previsto para os cursos de graduação e seqüenciais. Por fim, através da pesquisa realiza foi possível compreender que ao se integrar e aplicar esse conjunto de novas exigências estaria oportunizando cada vez mais a formação de profissionais críticos, voltada para o pensamento e não para a recepção de informações, possibilitando assim uma formação profissional que conduzirá o discente a contribuir efetivamente no desenvolvimento cultural, social e econômico da sociedade.

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[1]Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA): Sistema informatizado, projetados para promover interação entre professores, alunos e quaisquer outros participantes em processos colaborativos que envolvam ensino e aprendizagem via Internet.
[2] E-learning: Pode-se considerar uma combinação ocorrida entre o ensino com auxílio da tecnologia e a educação a distância.

 
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