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Distorção idade série no ensino fundamental menor PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Maria de Jesus Gomes Miranda Sousa   
Qua, 30 de Março de 2011 00:00

Resumo: Este artigo enfoca a necessidade de mostrar a distorção idade série no Ensino Fundamental Menor. Perante tal situação imprescindível uma tentativa de sanar ou demonstrar a problemática que cercam tal situação, no contexto da reflexão sobre o processo de ensino aprendizagem, atenta tanto às características do aluno quanto as características do professor, já que ambos são "peças-chave" para compreender o contexto da aprendizagem escolar.

Palavras-chaves: Problemática. Reflexão. Ensino aprendizagem. Aluno. Professor



SUMMARY:

This article focuses on the need to show the student age range in Elementary Education Minor. Faced with this situation absolutely an attempt to remedy the problem or demonstrate that surround such a situation, in the context of reflection on teaching and learning process, given the characteristics of both student and teacher characteristics, since both are "key elements" to understand the context of school learning.

Keywords: Problematic. Reflection. Teaching and learning. Student. Professor

RESUMEN:

Este artículo se centra en la necesidad de mostrar el rango de edad de los alumnos en Educación Primaria Menor. Ante esta situación absolutamente un intento de solucionar el problema o demostrar que rodean a esta situación, en el contexto de la reflexión sobre la enseñanza y el aprendizaje, dadas las características de ambas características de los estudiantes y profesores, ya que ambos son "elementos clave" para comprender el contexto del aprendizaje escolar.

Palabras clave: problemática. Reflexión. Enseñanza y el aprendizaje. Estudiante. Profesor

1 Introdução

Com este estudo busca-se  investigar as causas que levam os alunos ao baixo nível de aprendizagem na 4ºano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Estevam Ferreira da Costa – Sítio do Alegre, município de Esperantina -PI; Identificar as dificuldades de aprendizagem dos alunos; Verificar o motivo que está levando os alunos à repetência e analisar a existência de dependência espacial nas taxas de distorção idade-série, no Ensino Fundamental. O trabalho está centrado nos pensamentos de teóricos renomados no tema em estudo tais como: Moysés (1995) Aranha (1993),Freire, (1990)Topczewski (2000), Demo(1993). Repetência, evasão escolar, indisciplina, falta de proficiência por parte dos professores e alunos, distorção idade-série enfim, todos esses problemas levam ao fracasso escolar. Atualmente a educação brasileira apresenta todas essas mazelas. Diante de um quadro de grandes dificuldades, os profissionais de educação buscam soluções para os diversos problemas. Nesse processo, o aluno é bastante prejudicado e por vezes, impossibilitado de dar continuidade nos estudos, o que dificulta a inserção no mundo moderno que privilegia competências e habilidades em vários segmentos.

A repetência e a evasão escolar, há décadas, vêm sendo problemas que adornaram o panorama da educação. Pesquisas revelam que na década de 1930, os dados referentes à repetência e evasão escolar, mostravam altos índices e com o passar dos anos a situação não demonstrou  mudanças. Até hoje esses problemas fazem parte da realidade escolar, sendo que, são considerado um dos principais problemas da educação nacional problemas esses que estagnam na distorção idade-série. Diante de tal situação, o Ministério da Educação (MEC), em 1997, prega que o Programa de Aceleração da Aprendizagem, de certa forma, é uma ação emergencial que visa corrigir a distorção do fluxo escolar, proporcionando assim aos sistemas públicos de ensino municipal e estadual, as mais diversas condições para combater o fracasso escolar e consequentemente os aluno que apresentam a distorção idade-série, podem aproveitar essa “ajuda”, de forma que possam superar as dificuldades relacionadas com o processo de ensino-aprendizagem.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) temos que: “Uma das consequências mais graves decorrentes das elevadas taxas de repetência manifesta-se, nitidamente, na acentuada defasagem idade/série. Sem dúvida, este é um dos problemas mais graves do quadro educacional do país. Mais de 60% dos alunos do Ensino Fundamental têm idade superior à faixa etária correspondente a cada série, e na região Nordeste chega a 80%”.

E é diante desta difícil que a última Lei de Diretrizes e Bases da Educação incentiva os sistemas de ensino a planejar e desenvolver projetos que possam de alguma maneira auxiliar o educando na sua trajetória escolar, proporcionando assim, uma aceleração dos estudos de educandos com distorção idade-série. O ambiente familiar, o grau de instrução dos pais e adjacentes  influenciam no processo de ensino aprendizagem e podendo assim, o educando apresentar dificuldades que, quando não sanadas, gera o fracasso escolar. Tal fracasso escolar está intimamente ligado a esses fatores e as consequências desse fracasso afetam os valores sociais, afetivos e morais do individuo. É provável que muitos não consigam superar essas consequências e desistam da escola definitivamente. Para Patto (1993) “o fracasso da escola pública elementar é o resultado inevitável de um sistema educacional congenitamente gerador de obstáculos à realização de seus objetivos”.

Em suma, o sistema foi constituído de tal forma que é difícil seguir seu desenho impedindo assim o sucesso do processo educacional que visa o desenvolvimento pleno de competências em habilidades diversas do educando. Na opinião de Manata (1998), que de certa forma, relata um pouco da realidade educacional brasileira, no que diz a respeito ao fracasso escolar que, “os estudos sobre o fracasso escolar têm demonstrado a complexidade de que se reveste esse fenômeno e consequentemente, a dificuldade dos órgãos educacionais para resolver o problema”. A respeito de todos os avanços no sistema educacional brasileiro, a distorção entre a idade e a série cursada pelos alunos ainda constitui um grande desafio. Essa realidade ocasiona outros dois problemas persistentes no sistema educacional brasileiro: as elevadas taxas de abandono e de repetência.

Hodiernamente a educação é um tema bastante discutido e analisado. A conscientização de que a educação é algo que vai além do indivíduo e da escola parece fato comprovado. A educação implica, portanto, numa ação política e se constrói não só pelos professores, mas também pelos alunos, pais, funcionários, enfim, por toda a sociedade. O sistema educacional brasileiro hoje, mais do que nunca, defronta-se com vários desafios que precisam ser encarados com mais firmeza. Desde elevadas taxas de analfabetismo, carências na educação básica, grande número de professores leigos, altos índices de evasão escolar e repetência. Perante esses desafios de tal magnitude precisam mobilizar esforços de todos os setores da sociedade buscando se soluções. Até muito recentemente, a questão da escola limitava-se a uma escolha entre ser tradicional e ser moderna.

Essa tipologia não desapareceu, mas não responde todas as questões atuais da escola. Como são vários os desafios, sem desmerecer a urgência de soluções aos demais problemas enfrentados pelo sistema educacional, chama-se  atenção neste trabalho aos vários fatores que levam a evasão nas escolas públicas; à situação atual da educação brasileira a partir da aprovação da nova Leis de Diretrizes Básica e incentivar os profissionais da educação da importância do Projeto Político Pedagógico para a efetivação da educação de qualidade. Desafios estes que se tornam relevantes para a sociedade e a educação como um todo. Hannah Arendt pensadora do século XX cuja obra trata, sobretudo de filosofia política. No seu livro, Entre o passado e o futuro, em um capítulo, intitulado “A crise na educação” a autora faz uma reflexão sobre a educação.  Arendt diz que “a essência da educação é a natalidade, o fato de que seres nascem para o mundo”.

Nesse sentido, a educação só existe em benefício de a criança ser um fato no mundo, pois quando a criança nasce é como um papel em branco e só a educação do meio pode moldá-la e preencher esses espaços. Esse novo ser, por consequência, precisa ser introduzido nesse mundo estranho, tarefa que somente pode ser cumprida pela educação.  [...] Em todo caso, esses fatores gerais não podem explicar a crise [na educação] que nos encontramos presentemente, nem tampouco justificam as medidas que as precipitam (ARENDT, 2000, p. 229).

A atual prática educacional precisa tomar um novo direcionamento, isto porque o processo de aquisição do conhecimento, numa sociedade pós-moderna, vem adquirindo uma dinâmica progressivamente acelerada, e o tempo para esta aquisição é cada vez urgente. O protótipo educacional exige da escola uma reflexão sobre seu papel como instituição numa sociedade pós-moderna e pós-industrial, caracterizada pela globalização da economia, das comunicações, da educação e da cultura. As rápidas mudanças tecnológicas na sociedade, tanto nas formas de trabalho quanto na vida doméstica de todos os cidadãos, exigem o uso de métodos educacionais inovadores que permitam a toda alcançarem o seu potencial pleno. A educação não pode se distanciar da realidade, é válida hoje em todos os campos a aprendizagem significativa, para manter o aluno atento ao que se é ensinado e o docente deve manter permanente reflexão crítica a respeito da educação que recebe e da que transmite, considerando que a educação pode contribuir para diminuir as desigualdades sociais, e para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos.

2.1 Um olhar para a Distorção Idade-Série

O Brasil apresenta, de forma agravada, algumas características próprias de países em desenvolvimento, entre as quais as enormes desigualdades na distribuição da renda e as imensas deficiências no sistema educacional. Constata-se, deste modo, que esses dois problemas estão obviamente associados. Não é possível, hoje em dia, aumentar substancialmente a renda de adultos sem instrução, nem conseguir educar adequadamente crianças cujas famílias vivem à beira da miséria. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil conta hoje com 32 milhões de crianças em idade escolar, das quais 30,5 milhões freqüentam a sala de aula e muitas dela com distorção idade série. Esse dado seria animador se o quadro geral não fosse bem diferente: as escolas públicas, onde estão matriculados 89% dos alunos, são de baixa qualidade.

Sabe-se que o sucesso que muitos países vêm tendo no que se refere a educação de seu povo deve-se a muitos fatores, entre eles uma política que concede a educação como prioridade para o seu desenvolvimento. Como exemplo, cita-se a Coréia, Singapura (países asiáticos) que passaram de situações educacionais piores que a nossa para níveis próximos das nações ricas e industrializadas. Em conseqüência, sua maior eficiência industrial já está sendo sentida. É válido ressaltar, se comparar os dados da Unesco, ver que, enquanto no Japão apenas 1% dos alunos abandonam a escola sem concluir o correspondente ao primeiro grau – na Malásia temos um índice de 2%; na Indonésia de 10%; no Uruguai de 14%; na Tailândia de 15%; no México de 22%; na Colômbia de 27%; no Paquistão de 51%; no Brasil de 82% das crianças largam a escola antes de chegar à oitava série e se decidem voltar então está ai o motivo da distorção da idade.

Diante do exposto verifica-se que os problemas educacionais do Brasil não serão resolvidos através da importação de projetos bem sucedidos em outros países. Ao contrário, torna-se necessário que os dirigentes considerem a educação como uma necessidade básica para o desenvolvimento do país. Nesta perspectiva é indispensável a organização de uma política educacional destinada a propiciar uma educação de qualidade para todos, independente de suas condições socioeconômica. Isso significa dizer que não se podem adotar medidas isoladas, tais como: merenda escolar, distribuição de livros didáticos, TV escola, etc., para amenizar este problema. É imprescindível que a política educacional tenha como princípio básico o oferecimento de um ensino sério, o qual exija que a escola conheça o mundo do educando, atentando-o a partir de suas reais necessidades e diferenças inerentes ao homem enquanto ser ontológico. Moysés (1995, p. 35) afirma que “o Brasil, como os demais países da América. Latina, está empenhado em promover reformas na área educacional que permitam superar o quadro de extrema desvantagem em relação aos índices de escolarização e de nível de conhecimento que apresentam os países desenvolvidos”.

De um lado as pesquisas mostram que o Brasil, do ponto de vista quantitativo, já universalizou o acesso a escola. Mas, de outro lado, com sua estrutura elitista e discriminadora, não está preparada para atender aos filhos dos trabalhadores, na medida em que não respeitam as experiências sócio-culturais destes indivíduos. Assim sendo, vêm expulsando regularmente as crianças do interior da escola e jogando-as no mundo da marginalidade. A estrutura elitista existente na escola se materializa através da linguagem, do livro didático, da dominação simbólica, da representação dos mestres, dos currículos padronizados, dos métodos de ensino, etc. Mesmo por que, segundo Aranha (1993, p. 40), “considerando que a escola não exerce necessariamente a violência física, mas sim a violência mediante forças simbólicas, ou seja, pela doutrinação que força as pessoas a pensarem e a agirem de determinada forma, sem perceberem que legitimam com isso a ordem vigente”.

Percebe-se então que a educação brasileira apresenta problemas extra escolares relacionados à infra-estrutura e organização institucional, fruto de uma indefinição política para operar efetivamente novas mudanças nos pilares de sustentação das políticas para a educação nacional. Verifica-se, portanto que apesar de se estar vivendo na era da informática, temos uma grande parcela da população que permanece excluída do mais elementar dos direito do cidadão: comunicar-se através dos códigos da leitura e da escrita. O avanço tecnológico deve caminhar em conjunto com a humanização do homem e da mulher, pois: “Não podemos perder a batalha do desenvolvimento, assim como, não podemos perder a batalha da humanização do homem brasileiro.” ( FREIRE, 1990)

2.2. O Professor diante da situação: Evasão e Repetência Escolar

O educador para cumprir suas tarefas deve possuir características fundamentais. Primeiramente ele deve estar comprometido politicamente com sua tarefa de educar. Nesse comprometimento exige que ele tenha consciência da responsabilidade que lhe foi confiada. A medida que o educador compreende a importância social de seu trabalho, seu compromisso cresce. Moysés (1995, p. 29) afirma que nunca é demais insistir na necessidade de se investir na melhor preparação dos educadores da escola pública para atender ao tipo de clientela que a procura. É preciso que os professores se percebam como agentes de mudança; que se comprometam politicamente com a tarefa de ajudar a construir sujeitos sociais críticos e bem-informados. Tais atitudes são, de certa forma, incompatíveis com os improdutivos modelos de ensino e as ultrapassadas concepções de educação presentes nesse tipo de escola. (MOYSÉS 1995, p. 35)

O profissional comprometido com a educação deve sempre preocupar-se em formar seu aluno com uma visão crítica da sociedade, dando-lhe oportunidade de expressar suas idéias, tornando-o um cidadão ativo e participante na vida social, cultural e política do seu povo. Agindo assim, o professor estará pondo em prática sua função política, e exercendo sua mais importante atividade profissional que é facilitar a mediação entre o aluno e a sociedade, através dos conteúdos a ele ministrados. Para isso, é necessário:  “dialogar com a realidade, inserindo-se nela como sujeito criativo.” (DEMO, 1993, p. 21)

Diante do exposto, o sinal mais indicativo da responsabilidade e compromisso do professor é seu permanente empenho na instrução e educação dos seus alunos, dirigindo o ensino e as atividades de estudo, de modo que estes dominem os conhecimentos básicos e as habilidades, tendo em vista prepará-los para enfrentar os desafios da vida prática no trabalho e nas lutas sociais pela democratização da sociedade. E estes fatores podem estar relacionados tanto com as relações de carência as diferenças culturais e/ou sociais quanto aos fatores intra-escolares. Topczewski (2000, p. 32), também relata que os reflexos inerentes às dificuldades escolares interferem em várias atividades cotidianas e que podem comprometer as relações, sendo elas familiares, culturais ou emocionais, do indivíduo.

Ele coloca que: As crianças passam a sofrer uma série de interferências negativas, nos diversos ambientes que freqüentam, em várias ocasiões são rejeitadas pelos amigos que as consideram menos capazes e menos inteligentes, o seu progresso escolar e intelectual processa-se de modo ineficiente ou insuficiente; o somatório de fatores interfere, de forma acentuada, no seu estado emocional; uma vez comprometido o seu estado emocional, manifestam-se as alterações comportamentais nas mais variadas formas. E por tudo isso ser verdade, é preciso ter cuidado com a maneira de como lidamos com as crianças, pois tudo o que estas passam, quando do seu processo inicial, acarreta o seu processo de construção do seu dia-a-dia na adolescência e na vida adulta. E estas são muitas das causas que levam os adolescentes e adultos a abandonarem os estudos ou se reprimirem dentro do seu mundo e não se abrirem para o querer aprender.

2.3. A Cultura da Repetência e o  Contexto Teórico do Estudo:

Na década de 1980 foram abundantes os estudos e pesquisas mostrando os efeitos perversos e pouco producentes da reprovação. Sérgio Costa Ribeiro, físico e ilustre pesquisador, produziu trabalhos significativos nessa área, denunciando que o acesso, finalmente, conseguido pela população nas escolas públicas era enganoso, pois a soma das taxas de evasão e reprovação continuava tão alta quanto à dos anos de 1950. RIBEIRO, afirmava que a diferença era que, agora, não mais milhares, mas, milhões de alunos eram afastados, anualmente das escolas. Os estudos de RIBEIRO mostram com clareza que a evasão era o sub-produto das múltiplas repetências a que as crianças e jovens eram submetidos. Isso quer dizer, que os seus estudos denunciam que 50% da população escolar evadia-se da escola depois de ter ficado retido de 6 (seis) a 8 (oito) anos, na  2a (segunda) ou 3a (terceira) série do ensino fundamental.

Além disso, apontavam que de cada 100 (cem) crianças menos de 10 (dez) completavam o ensino fundamental em 8 (oito) anos, como o previsto no sistema educacional brasileiro. Ainda em 1995, mais da metade de todo a população brasileira de 7 (sete) anos era reprovada na 1a.(primeira) série. Nenhum outro país na América Latina apresentava estatísticas tão perversas e alarmantes. Os anos 80 e 90, entretanto, também foram férteis em estudos e pesquisas no campo do rendimento escolar dos alunos associados a um conjunto enorme de variáveis escolares e sócio-econômicas. A exemplo de estudos de pesquisadores como: Ana Maria Poppovic, Bernadete Gatti, Guiomar Namo de Melo, e outros.

As pesquisas com acompanhamento longitudinal de grupos de alunos das escolas públicas mostravam, em São Paulo e em outros Estados do país, que grande parte deles, a cada anos de repetência, desempenhavam-se cada vez pior, no ambiente escolar, em decorrência das situações desestimuladoras a que eram submetidos e da diminuição significativa de sua autoconfiança como aprendiz. A maior parte das pesquisas na área apontava também que fatores como a duração do período escolar, várias mudanças ou falta dos professores num ano escolar, existência de matérias didáticos na sala de aula bem como presença de aulas sistemáticas de recuperação, eram fatores muito mais determinantes no desempenho bem sucedido dos alunos.

O problema da qualidade é tão sério que os resultados vêm, na sua grande maioria, para sugerir que a forma como estamos gerindo nossas escolas é ineficaz. Possuímos sistema educacional de pouca eficácia, que só tem gerado diplomados sem ou com o mínimo de condições para atuar na sociedade: Resultados indicam que o concluinte médio de 8ª série domina os conteúdos esperados de um aluno de 4ª série, e o concluinte médio de 4ªsérie mal sabe decodificar as palavras que lê. Ambos são incapazes de ler e compreender uma notícia de jornal, por exemplo. Consequentemente, a esmagadora maioria dos concluintes da 8ª série não possui condição acadêmica para cursar escolas de ensino médio com proveito (OLIVEIRA e SCHWARTZMAN, 2002, p. 25). As avaliações em larga escala nos dão parâmetros bem mais efetivos tais como: distorção idade/série, taxas de evasão e repetência, o nível de conhecimento dos nossos alunos, suas capacidades cognitivas, caracterização de uma escola efetiva etc. Oliveira e Schwartzman, ainda continuam: A defasagem idade-série é acentuada, sobretudo nas escolas públicas, e mais de 25% de alunos de escolas públicas têm mais de 15 anos”.

3 Metodologia

Considerando os objetivos que se pretende atingir, primeiramente fez um estudo bibliográfico sobre a história da distorção idade-série no meio escolar.  Na análise destes dados, torna-se relevante verificar as idades dos educandos, as series que estão cursando, desigualdade e poder que influenciaram e influenciam a educação em diferentes períodos, com a finalidade de perceber os fatores que ocasionaram a distorção idade série na trajetória educacional. Tendo em vista que a educação é por si só, uma educação crítica (de formação para a democracia) que busca desencadear um processo de transformação social à medida que são desveladas as estruturas de poder e reveladas as ideologias que justificam a desigualdade social, o papel da escola e, principalmente do educador, deve ser de engajamento, de promoção do debate acerca dos problemas sociais e de apoio à participação política efetiva de sua clientela nos meios sociais. Sendo coerente com essas preocupações, é preciso, além de reconstituir teoricamente o pano de fundo mostrando o processo-histórico educativo nas séries iniciais, será necessário buscar meios, com a finalidade de coletar dados para investigar até que ponto o modelo pedagógico em questão é aceito e atinge os seus objetivos. O mesmo se aplicou na Escola municipal Estevam Ferreira da Costa da localidade Sítio do Alegre, zona rural de cidade de Esperantina-PI. A pesquisa possui um caráter avaliativo do sistema educativo e visa apontar se os objetivos dos programas utilizados para amenizar a distorção idade série, conforme estipulado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, estão sendo atingidos.

Por sua vez, objetivou analisar dados que possam apontar problemas de confluência entre o ato de educar e o modelo pedagógico aplicado para solucionar o problema da distorção idade série, tendo em vista a premissa de que uma conduta negativa (depreciativa, descompromissada, etc.) em relação ao modelo proposto afeta o processo de ensino e aprendizagem. Trata-se de uma modelo que exige engajamento político do educador, bem como a crença de a sua conduta é um exemplo de alguém que questiona que participa da vida pública porque conhece a importância disso para o bom andamento da democracia. Os dados coletados são as bases para uma análise da estrutura educacional para atender a modalidade e também para gerar parâmetros da avaliação das políticas públicas destinadas a analisar a distorção idade série. Uma pesquisa qualitativa é a mais aconselhável para se ter um quadro multifocal do processo educacional na sala de aula, com o uso, se for o caso, de uma abordagem etnográfica como lógica de investigação (GREEN, DIXON & ZAHARLICK, 2005).

A observação etnográfica vem a ser o segundo referencial teórico que ampara a pesquisa e, consequentemente, as questões aventadas neste artigo. Rodrigues-Júnior e Cavalcante (2005) acreditam que os rituais encontrados no mundo escolar devem ser lidos e interpretados pelos observadores como verdadeiros textos, que indicam discursos, valores e ideais que reproduzem as realidades do mundo exterior à escola. Essa pesquisa se sustenta em dois objetivos: Investigar as causas que levam os alunos ao baixo nível de aprendizagem na 4ª serie do Ensino Fundamental da Escola Municipal Estevam Ferreira da Costa – Sítio do Alegre; Identificar as dificuldades de aprendizagem dos alunos; Verificar o motivo que está levando os alunos à repetência e analisar a existência de dependência espacial nas taxas de distorção idade-série, no Ensino Fundamental.

De acordo com a metodologia utilizada, a pesquisa se baseia em um estudo de caso, onde a pesquisa apresenta características qualitativas sabendo também que o resultado não pode ser generalizado. Para que a investigação da trajetória desses alunos fosse realizada de forma que não prejudicasse a confiabilidade da pesquisa, foi necessário escolher um intervalo de tempo razoável que, no caso, foi do ano letivo de 2006 até meados de 2010. O mesmo apresenta uma amostra de 26 alunos, sendo que 15 deles apresentam distorção idade-série e estando todos na mesma classe. A 4a série foi a escolhida devido ao objetivo da pesquisa que se propõe verificar o motivo que está levando os alunos à repetência e analisar a existência de dependência espacial nas taxas de distorção idade-série, no caso essa classe é propiciatória para tal pesquisa, pois há grande numero de aluno com distorção idade-série.

Sabendo que o período de análise dos alunos compreende aproximadamente três anos, é certo que todos eles têm a probabilidade determinarem o Ensino Fundamental ou no mais tardar, estarem cursando a 8a série este ano, entretanto podem existir aqueles alunos que ainda não tenham conseguido um resultado favorável à que possa amenizar a correção da distorção idade-série. Uma das características principais dessa coleta de informações foi a análise documental. Com o apoio da secretaria da escola, foi possível obter diversas informações, tendo como fonte de pesquisa: diários de classe, ficha individual dos alunos, ata de resultados finais de aproveitamento (AFIN.

Diante de todo esse arsenal de informações, o seguinte esquema foi realizado: sabendo que cada aluno tem seus respectivos documentos, a coleta de informações foi realizada ano a ano. Por exemplo: um aluno no ano de 2006 frequentou a 2a série (com nove anos); já no ano de 2007 o aluno não estava matriculado; em 2008, voltou a se matricular na 3ª série (com 11 anos); no ano de 2009 ( com 12 anos) o aluno matriculou-se novamente na 3ª série; hoje com 13 anos o aluno encontra-se matriculado 4ª série . E seguindo assim para o restante dos alunos que apresentam a mesma realidade. A coleta de informações foi executada somente por uma pessoa, para assim, obter informações seguras e com olhar único.

4. Análise dos dados

Sabendo que o trabalho tem uma amostra de 26 alunos que no ano de 2006 cursavam a 2ª série, existem várias possibilidades para a trajetória escolar desses alunos. Para que o aluno seja matriculado em uma classe de aceleração, o pré-requisito principal é a distorção idade-série. Pois há uma grande diferença de idade entre os mesmos, causando com isso a dificuldade na aprendizagem de alguns. A realidade desta turma investigada preenche as condições necessárias. Pois sabe-se que a idade adequada para o aluno frequentar a 4ª série é até os 10 anos. Fazendo uma pequena observação dos 26 alunos que a pesquisa apresentava no começo do trabalho, temos que, no ano de 2010, a pesquisa apresenta 15 alunos matriculados na escola.

Aprofundando um pouco mais sobre esses 11 alunos que não estão mais presentes na escola podemos notar que quatro deles fizeram o pedido de transferência, o restante, sete alunos, por motivos desconhecidos e em nenhum de seus respectivos documentos apresentava  informação que comprovasse a frequência do aluno passaram a não frequentar mais a escola. Não muito diferente dos outros anos, tem se a seguinte realidade: no ano letivo de 2010, no período de matrículas o número de alunos evadidos cresceu. É interessante frisar que nenhum aluno conseguiu alcançar a 8a série. Como foi confirmado no começo, o aluno tinha possibilidades de no ano letivo de 2010 estar cursando a 8a série. Entretanto, nenhum aluno está cursando a 8a série. Os dados mostram uma triste realidade da educação brasileira. Muitos alunos abandonam as escolas por motivos diversos, não conseguindo assim ter acesso a melhores oportunidades, devido ao fato de não possuírem qualificação adequada.

Fazendo um resumo sobre os anos letivos de 2007, 2008 e 2009 em relação aos alunos que poderão num futuro voltar a se matricular na mesma serie que estavam anteriormente, causando assim a distorção idade série, esses alunos são considerados evadidos. De acordo com os respectivos anos letivos acima citados, temos 12 alunos que se encaixam nessas características. Com essa pequena amostra temos a seguinte situação: 75% dos alunos já tiveram nesses três anos letivos uma reprovação; 16,6% tiveram duas reprovações e por fim, 8,4% não tiveram nenhuma reprovação. Como a reprovação faz parte da realidade da maioria dos alunos, talvez ela tenha influenciado a ocorrência da evasão.

5 Considerações finais

Para concluir, o que se destaca, então, é o problema distorção idade/série, que segundo Sérgio Costa Ribeiro, centra na prática indiscriminada da repetência que é de longe conhecido, mas, pouco se alterou desde a década de 40, apesar dos diferentes governos e políticas públicas aplicadas na área educacional. Ainda segundo RIBEIRO, as análises antropológicas até hoje realizadas mostram claramente na cultura do sistema a imputação do fracasso escolar, ora aos próprios alunos, ora aos seus pais, ora ao sistema sócio-político, raramente aos professores, sua formação ou a organização escolar. Ao que parece, a prática da repetência que causa a distorção idade/série está contida na pedagogia do sistema como um todo. Esta pesquisa realizada na escola acima citada dá um parâmetro da qualidade de ensino desta escola, isto a situação em relação a distorção idade serie que se encontra na escola e o quanto é necessário a escola ter em seu calendário um espaço para tomar ciência dos resultados, refletir sobre os mesmos e buscar saídas para a melhoria da qualidade da educação.

Através da revisão bibliográfica sobre o assunto a distorção idade série no 4º ano pode se ter uma visão bem clara que a educação no Brasil apesar de ter uma boa caminhada em relação à quantidade de escolas para sua demanda, ainda deixa muito a desejar no que diz respeito à qualidade da educação isto nos diferentes aspectos. Um deles é a questão da distorção idade/série, pois é muito grande a quantidade de alunos cursando uma série bastante inferior para sua idade. Essa distorção é fruto da não permanência da criança ou do adolescente na escola e também devido à repetência do aluno na série. O que se pode concluir é que a qualidade da educação escolar brasileira não é nada boa, os alunos estão terminando um curso superior sem o mínimo de qualificação no que é básico para exercer sua cidadania: ler e escrever. O que se conclui deste estudo é que, a educação está longe de alcançar seu objetivo de redução da distorção idade/série.

6. Referências

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 2000.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Martins, Helena Pires Martins. Filosofando – Introdução à Filosofia. 2 ed. Ver. Atual. São Paulo: Moderna, 1993.
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CARRAHER, Terezinha. CARRAHER, David. SCHLIEMANN, Analúcia. Na vida dez, na: escola zero. São Paulo: Cortez, 1995.
DUARTE, N. (1996). Educação escolar, teoria do cotidiano e a escola de Vigotski. Campinas, SP: Autores Associados. (Coleção Polêmicas do Nosso Tempo, v. 55)
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1990.
GREEN, J. L.; CAMILLI, G.; ELMORE, P. B. Handbook of Complementary Methods in Education Research. Mahwah, NJ; London: LEA, 2006.
INEP, Evolução da educação básica no Brasil, Brasília, MEC/INEP, 1997.
MOYSÉS, Lúcia. O desafio de saber ensinar. Papirus. Campinas. 1995.
RODRIGUES-JÚNIOR, A. S.; CAVALCANTE, E. A. A Sala de Aula sob o Olhar Etnográfico. Presença Pedagógica, v. 11, n. 63, p. 49-56.

 

Autor deste artigo: Maria de Jesus Gomes Miranda Sousa - participante desde Qua, 30 de Março de 2011.

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