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Escrito por Hildelano Delanusse Theodoro   
Qua, 01 de Junho de 2011 14:03

A saída de Roger Agnelli da presidência de uma das companhias de maior prestígio, influência e poder de compra e de produção do país, a Vale (líder mundial em minério de ferro e segunda em níquel, além de outros produtos), talvez seja reflexo de um novo posicionamento do governo federal recém-eleito em termos de gestão. De personalidade considerada forte e dotada do mesmo talento para os trâmites institucionais como de propaganda, Agnelli deixou um legado difícil de ser medido de uma forma ortodoxa:



por um lado consolidou a empresa Vale como uma referência na sua área de atuação (com um aumento de seu valor de mercado para cerca de R$ 85,3 bilhões em termos de receita líquida) por outro conseguir entrar em atrito por diversas vezes com o governo federal – seja com o ex-presidente Lula ou com a atual presidenta Dilma. Interessante é o fato nem sempre levado em consideração pelos analistas em geral de que o governo federal ainda detém a porção majoritária na empresa, na ordem de 60,5% de suas ações (via BNDES e também fundos de pensão públicos, cada vez mais importantes nas transações de mercado).

Ou seja, mesmo em um cenário bastante motivador para o setor de mineração em geral, que acumula alta no preço de sua commodity na ordem de 84,5% para o período compreendido entre 2009-2010, o formato de gerenciamento e atuação de Agnelli não coincide mais com as opções políticas e técnicas do governo Dilma. Possivelmente tal escolha de um novo perfil de direção (mais técnico e conciliador e menos personalista) tenha encontrado no novo presidente indicado, Murilo Ferreira, o par perfeito.

Isto porque ele se destacou na preferência tanto da base governista como dos setores mais tradicionais da indústria, comércio e acionistas através de sua biografia como funcionário de carreira da empresa. Ele detém mais de 30 anos de experiência dentro da Vale e possui um reconhecimento de atuação executiva de visão e de interface junto aos stakeholders. E claro que em um momento de afirmação do setor e da própria nova equipe governamental, a tranqüilidade dos mercados é um dos pilares de atuação técnica a ser explorado. Soma-se a isto o fato de que também ele teve atritos com Agnelli anteriormente, a ponto de, em 2008, pedir desligamento da companhia sob alegação de estresse profissional e pessoal.

Mas Ferreira volta agora com muito mais força institucional e política para tocar adiante os planos da Vale em termos de um constante investimento na mineração (prevê-se algo em torno de 40 bilhões de dólares em novos projetos), que tem se destacado como atividade mais rentável do que a siderurgia no cenário atual.

E por ser um profissional de mercado consolidado, há uma tendência de uma ação de aproximação por parte do novo gestor em relação ao Planalto e de não repetir ações passadas como a desencadeada por Roger Agnelli ao demitir mais de 1.300 funcionários da empresa há três anos, justamente no período de maior crise cambial das últimas décadas, sob alegação de necessários cortes nos recursos humanos e físicos na Vale (o que gerou críticas generalizadas aos mesmos).

Isto significa que o sinal dado por Dilma com esta nova escolha foi clara e direta ao mercado: Murilo Ferreira tem agora a responsabilidade de continuar a imprimir um ritmo forte nas transações comerciais da companhia em todas as suas unidades ao redor do mundo, que são atualmente 38, e também iniciar um novo ciclo/estilo de gestão que foi oficialmente encerrado com a saída de Agnelli semanas atrás.

Mais uma vez a gestão por resultados e através de planejamento institucional integrado marca o novo governo via a recente proposta de gestão da/na Vale. E com a mensagem subliminar de um gerenciamento ancorado também em um nacionalismo de vanguarda na alocação de recursos ambientais e econômicos finitos em um período de transição de novos valores da companhia e, quem sabe, do país.

 

 
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