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Escrito por Wolmer Ricardo Tavares   
Sex, 20 de Abril de 2012 00:00

Por Wolmer Ricardo Tavares[1]

Não tem como falarmos da Teoria do Conflito sem citarmos Karl Marx que teve suas noções de mudanças alicerçadas com as idéias do filósofo Hegel que desenvolveu o conceito de dialética.

A teoria do conflito se baseia em dois lados, em uma a classe explorada e a outra a classe dos exploradores. A primeira vê como benéfica a mudança no sentido de equidade e a outra classe teme essa equidade, pois, ela sairá de um momento de comodidade fazendo-a resistir e até mesmo neutralizar tais mudanças.

 

A classe dominante, representada pelos políticos corruptos e corruptores, e também representada pelos empresários, detém o poder e representam uma minoria de nossa sociedade, procurando perpetuar ainda mais a sua soberania, para assim continuarem no topo da pirâmide social, ditando regras e “inventando” leis que os beneficiem e os perpetuem nesse poder.

 

A educação nesse contexto tem o intuito de fomentar esse conflito, não de forma revolucionária exigindo um combate corpo a corpo, mas auxiliando na busca de um conhecimento corrosivo que transforme nossos educandos, sem autonomia e totalmente alienados, em educandos proativos e protagonistas de suas vidas, fazendo com que os mesmos saiam desse momento letárgico em que vivem e passem a exigir uma equidade através da democratização do conhecimento.

Não podemos ser tão miseráveis a ponto de ficarmos na esperança de uma educação que resolverá todos as mazelas sociais. Para isso, tomemos como exemplo a Caixa de Pandora. Para Nietzsche, a esperança anula qualquer ação que poderia ser tomada e isso faz dela o pior de todos os sentimentos[2].

A educação deverá ser a causa primária dessa mudança e para isso se fazer necessário, é imperioso revermos nossas práticas e métodos didáticos/pedagógicos, além dos conteúdos repassados a nossos alunos e empurrados para nós educadores pelo sistema que manipula e censura o que deve ou não ser repassado, que na atual conjuntura, reflete cada vez mais em alunos alienados ao invés de se sentirem libertos.

Essa alienação é uma forma da classe dominadora se manter na posição cômoda em que se encontra na pirâmide social, vendo o povo como os deuses faziam em suas arenas, pois essa elite tem o poder de corromper e manipular o conhecimento, fazendo de seu povo, um joguete para sua diversão e também a sua perpetuação.

Há nos educadores o senso crítico e a disposição em serem semeadores de um conhecimento corrosivo, libertador e aplicável à realidade de seus educandos, instigando um devir a estes, o que traria danosas consequências para o topo da pirâmide. Para evitar esse intento, a elite faz uso então de seu poder de coação roubando-lhes a dignidade e deixando-lhes apenas o mínimo para seu sustento, coibindo seus sonhos e transformando os então educadores altivos em verdadeiros “zumbis” que acatam as regras de um sistema falho, passando acreditar que nada poderá mudar a amarga realidade deste, ou fazendo os fomentadores da mudança se sentirem tão ocupados com sua subsistência que se manterão ocupados por longas jornadas de trabalho para poderem conseguir um salário pouco mais digno, e com isso, serão pesos mortos para possíveis mudanças.

Quando conseguirmos proporcionar realmente a nossos educandos uma educação de qualidade, conseguiremos aplicar a verdadeira idéia Hegeliana, pois esta estará alicerçada na máxima ao esclarecer que toda experiência necessita de um contexto histórico, assim, a teoria do conflito cederá lugar a harmonia e ao crescimento coletivo.

 


 

[1] Wolmer Ricardo Tavares, Mestre em Educação e Sociedade, especialista em Análise de Negócios e Informaçãoe também em Análise de Sistemas. Escritor, palestrante e atua como docente universitário. Para mais informações, vide www.wolmer.pro.br

[2] Para mais informações sobre a Caixa de Pandora, vide TAVARES, Wolmer Ricardo. Caixa de Pandora: por uma educação ativa. São Paulo: Ícone Editora, 2010.

 
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