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Edições Anteriores 321 Produção de Artigos Técnico-científicos - uma exigência permanente.
Produção de Artigos Técnico-científicos - uma exigência permanente. PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Luiz Carlos dos Santos   
Sex, 03 de Maio de 2013 00:00

 

Os integrantes da comunidade acadêmica – professores-pesquisadores, técnicos especializados e estudantes devem produzir artigos técnico-científicos para publicação em periódicos especializados, principalmente naqueles classificados pelo Sistema Qualis, níveis “A” e “B”, recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), quando tratar-se de programas de pós-graduação stricto sensu. A socialização do conhecimento produzido é relevante tanto em nível pessoal (enriquecimento do currículo Lattes), quanto para o curso de graduação ou programa de pós-graduação, por ocasião das avaliações instituídas pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) – cursos de graduação e Instituições de Ensino Superior, ou pela Capes, para os referidos programas stricto sensu.

 

De acordo com Gonçalves (2004), o artigo técnico-científico é um texto escrito para ser publicado num periódico especializado e tem o objetivo de comunicar os dados de uma pesquisa, seja experimental, quase experimental ou documental. A Norma Brasileira de Regulação (NBR) nº 6022, editada em 2003, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em plena vigência prevê três definições para o artigo: científico – parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento; revisão – parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas; e, original – parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais.

De pronto, cabe ressaltar que antes de iniciar a redação de um artigo técnico-científico é basilar que sejam considerados alguns aspectos, dentre eles: sobre o que escrever (tema/objeto/problema); por que escrever (justificativa); para quem (objetivos) e como escrever (metodologia). Nessa perspectiva, algumas qualidades/habilidades devem ser inerentes ao pesquisador, dentre as quais: interesse e a curiosidade para pesquisar sobre a temática dentro do rigor científico; prazer da produção científica, a ponto de dedicar-lhe tempo indefinido para visualizar, selecionar e entender os detalhes do objeto de estudo, sob variadas óticas; capacidade de se autojulgar e aceitar a crítica, bem assim outras contribuições que permitam e favoreçam a realização do trabalho científico; estilo próprio e hábito de escrever, os quais propiciem o reconhecimento do que escreveu pelos seus pares; comportamento metódico de leituras regulares, não somente formativa, mas também informativa, de modo a contribuir para a verticalização do seu saber nos diversos campos de atuação; e, participação em eventos profissionais, com o fulcro de apresentar o seu trabalho e dialogar com pesquisadores interessados no assunto/tema, enfim, uma espécie de circularização do estudo.

De acordo com Santos (2007), não basta somente a âncora teórica na elaboração do artigo nem o cuidado com a metodologia; um bom artigo deve levar em conta os aspectos da língua culta: clareza; concisão; criatividade; correção; encadeamento dos parágrafos e das partes/seções; consistência do tempo verbal; concordância nominal; redação direta e objetiva, evitando redundância ou circunlóquio; precisão nas informações e conceitos; originalidade, de maneira a evitar modismos linguísticos e o emprego de palavras rebuscadas, que pareçam demonstrar erudição; extensão – o número de páginas estabelecido pelo periódico; especificidade – nexo entre o título do artigo, problema a elucidar e objetivos (geral e específicos) a alcançar; e, fidelidade – escrito dentro dos parâmetros éticos, com absoluto respeito ao objeto pesquisado, às fontes e aos leitores.

Em relação à normalização, a NBR 6022:2003 da ABNT deve ser o guia, todavia, as revistas, em alguns casos dispõem de regras próprias de publicação, baseadas em normalização internacional. Elas são apresentadas no início ou na última página do exemplar, ou ainda no sítio eletrônico do periódico selecionado. Os elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais de um artigo técnico-científico, segundo a norma supramencionada devem estar devidamente dispostos de maneira a demonstrar amplo domínio do autor na construção do escrito. Cabe lembrar que outras normas da ABNT devem ser observadas na elaboração do artigo, tais como: NBR 6023:2002 (referências); NBR 10520:2002 (citações); NBR 6028:2003 (resumo) e, num sentido macro, a NBR 14724:2011 (trabalhos acadêmicos).

Concernentemente à introdução, sua função é apresentar o assunto e delimitação do tema, analisando a problemática que será investigada, definindo conceitos e especificando os termos adotados a fim de esclarecer a temática. Nela devem constar os pressupostos investigativos – a problemática, hipóteses de trabalho ou questões norteadoras (quando for o caso), a justificativa (o porquê da investigação nas dimensões científica, social e pessoal), os objetivos e a metodologia utilizada, lastreada no referencial teórico pesquisado.

Seções/partes do artigo ou simplesmente desenvolvimento constituem a exposição ordenada/concatenada do assunto/tema. Nelas o autor descreve, explica e argumenta a abordagem do tema e o que deseja demonstrar e defender. O desenvolvimento é construído na forma de uma revisão da literatura, apresentando um debate entre os autores pesquisados, extraído das mais diversas fontes de informação atualizadas. Se houver subdivisões exigem uma logicidade, com sentido determinado, e devem dar a ideia exata do conteúdo tratado na seção ou subseção que intitulam. O pesquisador não poderá omitir as controvérsias acerca da temática sob pena de ser parcial – aético.

Quando o artigo decorrer de pesquisa de caráter teórico-empírico, o autor deve acrescentar as tabelas com os devidos comentários e inferências, bem assim outras ilustrações, se for o caso, a exemplo de mapas, fotos, quadros, gráficos, diagramas, desde que retratem uma situação estudada/investigada.

Relativamente à conclusão, parte final dos elementos textuais, na qual são apresentadas as conclusões alcançadas com a pesquisa, corresponde a explicitação da elucidação/desnudação do problema, comprovação ou refutação das hipóteses de trabalho, ou ainda, confirma as respostas dadas às questões norteadoras (quando for o caso). Nela, além do autor deixar também claríssimo o alcance dos objetivos, ele manifesta o seu ponto de vista no sentido lato sobre o que pesquisou. Se for o caso, no final desta parte, o autor pode apresentar recomendações e sugestões para trabalhos futuros. Ah! Não se deve esquecer que a conclusão representa a concatenação das ideias do autor, depois do estudo minucioso e aprofundado do tema, servido para fazer o fechamento do que foi discutido, analisado e avaliado no texto.

Convém registrar, que nos artigos de revisão, obviamente são dispensadas tabelas, outras ilustrações, porque não têm o caráter empírico, bem assim detalhamento de métodos e resultados obtidos com a investigação concretizada.

Quanto aos elementos pré-textuais e pós-textuais, o pesquisador ou iniciante na investigação, de posse da NBR 6022:2003 da ABNT ou nas normas específicas do periódico/revista tem condição de completar a sua produção, em conformidade com o rigor exigido para publicação desta natureza.

Para o desenvolvimento mais eficaz e efetivo de um artigo técnico-científico, convém que o pesquisador e, principalmente o estudante na iniciação científica, elabore um projeto de pesquisa, pois facilitará os trabalhos investigativos, além de constituir-se um instrumento de análise prévia, pelo orientador (a), até porque que, em alguns Projetos Pedagógicos de Curso (graduação ou pós-graduação lato sensu), o artigo técnico-científico é o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Para tanto, a NBR 15287:2011, da ANBT, fornecerá os elementos estruturais entre outros aspectos para a construção do mencionado projeto. Convém esclarecer que o projeto é um intento, um plano – o futuro (no caso o artigo). Assim, antever a ideia do que está se querendo pesquisar, a fim de materializar sob a forma de artigo, deve ter como antecedente um projeto de investigação.

Finalmente, reafirme-se que a produção de artigo contribui para valorização da pesquisa no âmbito da IES, com promoção do professor-pesquisador sujeito da ação, que passa a experienciar em sua vida educacional o autoconhecimento e a necessidade de dialogar com outras fontes de conhecimento, por meio do artigo técnico-científico, socializando seus resultados e buscando a cada experiência uma nova forma de transmissão e construção de saberes com o objetivo de promovê-lo e divulgá-lo. Mesmo não possuindo periódico especializado, classificado no Sistema Qualis, a IES deve lançar revistas indexadas e possuam Conselho Editorial composto por integrantes da comunidade interna e externa, inclusive expoentes internacionais, visando publicar a produção de seus professores-pesquisadores, técnicos especializados e estudantes. Isso conta bastante nos processos de avaliação do MEC (INEP e Capes). Ah! Os artigos da revista não podem ser exclusivamente de autoria dos membros da Instituição de Ensino Superior – isso caracteriza o periódico como endógeno. Por outro lado, o autor não deve publicar um mesmo artigo em mais de uma revista, pois assim procedendo comete o autoplágio, considerado crime pela legislação em vigor.

Referências:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA EDE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022 – informação documentação – publicação artigo técnico-científico em periódico – apresentação. São Paulo: ABNT, 2003.

GONÇALVES, Hortência de Abreu. Manual de artigos científicos. São Paulo: Avercamp, 2004.

SANTOS, Luiz Carlos dos Santos. Por que elaborar artigos técnico-científicos? Salvador: EDUNEB, 2004.

______. Tópicos de Metodologia da Pesquisa Científica, Educação [...]. Salvador; Quarteto, 2007.

 

 
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